- Estima-se que, todos os anos, cerca de 9300 pessoas perdem a vida devido a doenças associadas ao consumo de tabaco
TEXTO DE GENÉZIA GERMANO
Em Moçambique, o tabaco continua a matar em silêncio, não explode, não sangra nem grita. Mas destrói pulmões, corrói artérias, envenena células e ceifa vidas todos os anos. Está entranhado nos hábitos. É vendido em mercados, fumado em becos, em transportes públicos e até em frente às escolas. Alguns começam a fumar aos 12 anos. Para muitos, o cigarro é apenas um gesto, um sopro que relaxa, um hábito que parece inofensivo. Mas, para o sistema respiratório, é uma sentença de morte.
O tabaco continua a ser uma das principais causas de morte evitável no país. Estima-se que, todos os anos, cerca de 9300 pessoas perdem a vida devido a doenças associadas ao seu consumo. As províncias com maior prevalência de fumadores são Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Tete, onde a presença de tabaco nos bairros é visível tanto nas práticas culturais, como nas bancas informais. E enquanto as campanhas de sensibilização enfrentam desafios de implementação, a nova ameaça é o cigarro electrónico que, silenciosamente viciante, se tornou o novo dragão que sopra fumo sobre a juventude moçambicana.
É neste contexto que a Associação Moçambicana de Saúde e a Organização Mundial da Saúde tomaram a iniciativa de organizar um seminário sobre o controlo do tabaco e a emergência dos cigarros electrónicos entre os jovens.
Para o jornalista André Matola, que acompanha campanhas de advocacia e políticas públicas sobre o controlo do tabaco, é urgente intensificar acções de sensibilização. “O acesso ao cigarro electrónico está muito saúde pública”, defendeu.
Matola considera que há uma falha grave na fiscalização e consciencialização. “Devemos fazer mais reportagens, mais programas, envolver rádios comunitárias e pressionar as autoridades para uma legislação mais rígida. Há um vazio legal que está a ser explorado pelas empresas que vendem cigarros electrónicos”, sustentou. Leia mais…

