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CIDADE E SUBÚRBIO: Juntos e misturados

Por admin

A zona urbana e o subúrbio estão cada vez mais misturados. Polana-caniço, um dos bairros antigos e mais populoso da cidade de Maputo, está a ser abraçado pelas casas de alvenaria que se alastram subúrbio adentro.

Quem conhece a história
do bairro consegue
afirmar que o mesmo
está a conhecer momentos
derradeiros.
Está em processo a destruição
de um passo, cujo quadro remetia
somente à desordem, e dá-se
espaço às maravilhas da arquitectura.
O bairro mais nobre da cidade
de Maputo, Sommerschield, está
cada vez mais perto do subúrbio.
“Parece que a separação
que nos resta aqui é a Universidade
Eduardo Mondlane
(UEM), ela funciona como
o muro de Berlim”, comentou
Santos Sande, morador do
Polana-caniço “A”.
Aliás, para este jovem de
27 anos de idade, que nasceu
e cresceu naquela zona, esta
proximidade entre o nobre e o
suburbano faz com que a convivência
entre ambos não seja
pacífica.
Os criminosos já vêem nas
casas dos abastados uma fonte
de rendimento. O número
de assaltos, segundo contou,
subiu.
Mas há aqui outros medos
que se criaram: o bairro pode
ser diluído para ceder espaço à
civilização.
“Ficamos com medo de
ver o bairro a morrer, temos
a sensação de que só resta
virem nos dizer para sairmos
daqui. Às vezes aparecem
pessoas a proporem a compra
dos nossos espaços”.
Mas residentes há que
olham para as mudanças de
boa forma, “trata-se de evolução.
E se empresários nos
pagarem bem e/ou atribuírem-
nos novos terrenos,
podemos sair”, disse Nelson

 

Gueruco, morador do Polana-caniço “B”, quarteirão 30.
O nosso guia, Calado Cossa,
filho de Dorca Cossa, chefe do
quarteirão 30 do Polana-caniço
“B”, levou-nos até à casa de Fazmino
Mpfumu, de 74 anos de idade,
residente no bairro desde os
seis anos, onde ouvimos histórias
sobre o bairro.Um médico, que curava a população,
 
resolveu atribui-lhe o
nome de “Kaphulani” (que significa
curar, em ronga, língua local
do Sul do país). “Esse Polana
chegou com o hotel. E uma vez
que não podiam chamar só desse
nome, veio o caniço”, narra
Mpfumu.
Revelou ainda que o bairro
Sommerschield era campo de
golfe na altura, e alastrava-se até
ao espaço onde actualmente se
encontra a Presidência da República,
em 1958.
Outra história tem a ver com o
facto de naquela região florescer
caniço e pela abundância massiva
de casas construídas com
aquele material. “Era mesmo
para criar as diferenças entre
as zonas”, narrou, acrescentando
que as pessoas eram proibidas de
construir casas de alvenaria pelo
regime vigente na altura, porque
as autoridades diziam que apareceriam projectos que obrigassem
os residentes a abandonarem
o local.
O facto é que o que se temia
antes pode estar a acontecer
agora. Mpfumu não tem dúvidas
que os subúrbios darão espaço à
civilização.
Criminalidade
continua a
preocupar
Uma das grandes preocupações
dos moradores daquele
bairro são os índices de criminalidade
que assolam a zona.
Chega-se a afirmar que a presença
da esquadra policial contribui
para o elevado número de
roubos, de acordo com Calado,
nosso guia.
Segundo afirmaram, há recolher
obrigatório a partir das
18.00 horas, porque os ladrões
assaltam com recurso a armas
brancas. A falta de iluminação
na via pública faz com que a
bandidagem cresça cada vez
mais. “Se colocassem luzes na
Avenida Julius Nyerere seria
bom, porque é perigoso andar
à noite por ali”, disse Amélia
Sitoe, também do Polana-caniço
“A”. “Vezes há em que pessoas
entram nas nossas casas à noite aos choros, pedindo
ajuda quando são assaltadas”.
Há também relatos de estudantes
da UEM que ficam sem os
computadores quando regressam
às suas residências à noite.
A rua que parte do campo 1.º de
Maio até à Costa do Sol, mais conhecida
por “rua das escadas”, é
um dos vários pontos onde se
perpetuam acções do género.
No interior do bairro é possível
notar que os becos continuam
sendo as vias de acesso
e, por conta disso, dificultam a
circulação de pessoas e bens, o
que faz com que os assaltantes
peguem nas vítimas com um certo
à vontade.
Locais históricos
Um dos locais históricos que
existe é o mercado 1 de Junho,
mais conhecido por “MuKoreano”
(de nacionalidade coreana,
em ronga). Rezam as lendas que
o homem começou com um negócio
de venda de diversos produtos
e prestação de serviços.
O tempo passou e naquela
zona nasceu um mercado com o
mesmo nome.
A nossa fonte contou que
uma das maiores diversões
desde os tempos remotos era o
futebol, com a equipa da Estrela da Polana. Actualmente, sente as
mudanças, como é o caso da comunicação
entre as pessoas.
O grosso das residências
beneficia de energia eléctrica
com sistema CREDELEC, considerado
na zona uma vantagem.
O bairro possui também um
hospital, no qual, como relatam
os moradores, o atendimento é
razoável, embora muitas vezes
não haja medicamentos. Somente
“reclamamos pelo preço de
água, devia ser mais baixo”,
sugere.
As chuvas que fustigaram
aquele bairro em 1976 e 1982
modificaram o bairro. Na Polana
“B”, há crateras abertas pela
fúria das águas, “sobretudo a
chuva de 2000, que levou residências
e barracas”, comentou
o nosso guia. Actualmente há
uma luta para fechar os buracos
com lixo.
O bairro conta também com
uma escola primária, “não equipada”,
concluiu Calado.
Texto de Pretilério Matsinhe

 

 

 

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