Nacional

Chuva desfigura Maputo e Matola

Texto de André Matola e Fotos de Inácio Pereira

•Malária vem a seguir

A chuva que a sensivelmente duas semanas cai nas cidades de Maputo e Matola está a reduzir a pó o esforço de muitos homens e mulheres que durante muitos anos fizeram o seu pé-de-meia para poderem erguer uma habitação condigna.

No bairro de Bunhiça, província de Maputo, os sacos de areia que alguns populares estão a usar para proteger as suas casas da erosão acentuada dos solos estão se revelando pouco úteis em relação a força das águas pluviais.

Bomba Henriques, 57 anos, e Oresto Keklulo, 34 anos, ambos residentes do bairro de Bunhiça, que têm as respectivas residências ameaçadas pela erosão, testemunharam isso mesmo em conversa com a nossa Reportagem.

Algumas ruas onde se podia circular de carro, ainda que fosse a tracção a quatro rodas, já não é possível faze-lo porque a água cavou-as a bem cavar a profundidades que variam entre metro e metro e meio.

Alguns postes de transporte de energia eléctrica que alimentam os bairros de Bunhiça e Singhatela poderão tombar caso continue a chover com alguma intensidade (atente-se para as fotos que ilustram esta reportagem).

Exemplo mais do que perfeito do malefício da chuva pode também ser visto na Escola Secundária de Bedene, Machava. O muro da escola, construído a pouco menos de cinco meses, ruiu e o recinto escolar está agora repleta de crateras que serão um atentado enorme a integridade física dos alunos que dentro de dias terão as suas aulas naquela escola. Algumas fossas sépticas estão agora a descoberto.

No bairro da Liberdade, Município da Matola, há pessoas a viverem quase na condição de anfíbios – têm de se adaptar a viver tanto na água como em terra – tudo isso porque a chuva dividiu os quintais em duas porções, sendo uma seca e outra alagada.

Alguns dos casos mais gritantes vimos na Rua-1 e na Rua de Mutarara onde cerca de 20 famílias tiveram de abandonar as respectivas residências.

A água acumulou-se no interior dos quintais atingindo mais de meio metro de altura. Aliás, tanto a rua-1 como a Rua de Mutarara estão feitos autênticos rios, paradoxalmente para o gáudio da criançada que brinca nadando naquelas águas putrefactas e pejadas de algas esverdeadas.

O que entristece sobremaneira é ver e perceber que as crianças brincam completamente alheias ao perigo em que incorrem porque engolidos, inadvertidamente, uns goles daquela água é suficiente para serem acometidas de diarreias e outras complicações gastrointestinais.

A situação também é aflitiva nos bairros de Magoanine, Ferroviário, Nkobe e Kongolote.

No bairro do Magoanine, segundo alguns populares, a recente vaga de chuva está a complicar em demasia a vida dos moradores daquele bairro que já se debatiam com os charcos provocados pela chuva de 2000, que teimam em não desaparecer.

Entretanto o denominador de todos bairros é a quase intransitabilidade das estradas.

Alguns residentes, quinze dias depois do inicio da chuva, continuam sem poder estacionar as respectivas viaturas dentro das suas garagens porque os buracos impedem tal veleidade.

MALÁRIA

À ESPREITA

A malária e as doenças diarreicas antevêem-se desde já como enorme doar de cabeça para as autoridades da saúde.

Em todos os bairros que a nossa equipa de equipa de Reportagem percorreu apercebeu-se da existência de numerosos charcos de água e capim, habitat perfeito para a reprodução de mosquitos.

A terminada campanha de distribuição gratuita de redes mosquiteiras pela Saúde poderá minorar os efeitos da maleita.

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