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CHINGODZI: Onde se faz matemáticas para satisfazer necessidades biológicas

Por Jornal domingo

TEXTO DE NEYMA DE JESUS

Num dos nove bairros da cidade de Tete, moradores vivem num prolongado tormento. É falta de luz para iluminar as casas no período nocturno, é água que não jorra nas torneiras, aliás, elas nem sequer existe, o que obriga os moradores a percorrerem longas distâncias à procura do líquido precioso.

Com efeito, as famílias são obrigadas a caminhar sob sol escaldante, carregando bidões ou empurrando carrinhos de mão em busca de uma fontanária que lhes forneça água. No entanto, muitas vezes regressam com quantidades insuficientes e são forçadas a racionar cada gota para cozinhar, lavar e matar a sede.

Por último, as matemáticas da triste aventura diária com vista a satisfazer as necessidades biológicas. Em Chingodzi, concretamente na unidade Nyankumbe, os habitantes contam que não existem sequer latrinas comunitárias. Para satisfazer as necessidades biológicas, homens, mulheres e crianças recorrem a vias alternativas, numa prática que, além de ferir a dignidade humana, expõe a comunidade a riscos de saúde pública.

Cecília Alberto partilha que precisa de calcular o tempo e estudar o ambiente para poder evacuar, “acordo muito cedo e procuro defecar nas primeiras horas do dia, porque não há movimento de transeuntes”, entretanto, “quando falho de manhã, tenho de aguentar até à noite”. Mãe de duas crianças de sete e 12 anos conta que os petizes também estão treinados, mas Leia mais…

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