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Cheias matam moçambicanos no Malawi

No Malawi, pelo menos cinco moçambicanos perderam a vida devido as cheias que assolam aquele país vizinho desde os princípios do ano. Enquanto isso, outros dois mil estão desalojados-revelou o Cônsul de Moçambique em Blantyre Bernardo Lidimba.

As cheias afectaram sobretudo o sul do Malawi, onde vive a maior parte da comunidade  moçambicana.

Os moçambicanos foram acolhidos e tratados dentro das condições de emergência por parte do governo malawiano e continuam a receber produtos de primeira necessidade nos centros de acomodação localizados nas escolas públicas. 

Bernardo Lidimba disse que do esforço empreendido localmente foram angariadas sete toneladas de produtos e roupa diversa que foram canalizados para os centros de acomodação onde estão os moçambicanos e os malawianos.

Os produtos foram encaminhados através das administraçoes locais da República do Malawi tendo em conta que as instituições malawianas é que gerem todo o tipo de apoio destinado as vítimas das cheias.

Para o distrito de Nsanje foram encaminhadas três mil e duzentas toneladas e mil e trezentas para Phalombe. Foi contemplado igualmente o distrito de Chikwawa com duas mil e quinhentas toneladas de produtos e roupa diversa.

O levantamento inicial apurou que na sede do distrito de Nsanje estão acomodados duzentos e três moçambicanos no centro que funciona na Mota-Engil Site.

Trata-se de moçambicanos residentes em Nsanje e que foram afectados pelas cheias, enquanto no centro de Phokera estão acomodados 893 moçambicanos todos oriundos do Posto Admnistrativo de Chire, Distrito de Morrumbala, Província da Zambézia. No centro de Gadamela, que funciona na Escola de Mlonda também estão 65 moçambicanos provenientes de Morrumbala.

Outro centro funciona em Bangula onde inicialmente foram contabilizados 1.146 moçambicanos, todos oriundos do Posto Administrativo de Chire.

O Cônsul de Moçambique em Blantyre disse que vai continuar com o monitoramenro da situação, fazendo o necessário acompanhamento.

Entretanto, a FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação disse que os agricultores do sul do Malawi precisam urgentemente de sementes e gado após as cheias e inundações que destruíram os seus campos, arrastando consigo animais e casas, e ameaçando a segurança alimentar.

Num comunicado emitido na sua sede, em Roma, capital italiana, a agência das Nações Unidas também advertiu que o fracasso do governo para responder prontamente às cheias e inundações terá consequências duradouras para o Malawi.

“As famílias vão produzir muito pouco ou quase nada este ano, deixando-as em crise alimentar  e minado os progressos alcançados na redução da insegurança alimentar”- disse Florence Rolle representante da FAO no Malawi.

As estatísticas indicam que as cheias causaram a morte de setenta e nove pessoas, enquanto outras cento e cinquenta e três são dadas como desaparecidas no distrito de Nsanje, num universo de mais de duzentas mil pessoas desalojadas.

Além disso, um número estimado em cento e dezasseis mil famílias perderam as suas culturas e gado nos distritos de Nsanje, Phalombe e Chikwawa.

Rolle disse que as famílias precisam de gado para garantir o consumo da proteína animal, acrescentando que as infra-estruturas de irrigação devem ser reabilitadas antes da estação secapara assegurar a produção de alimentos.

“A FAO está disponível a trabalhar com o governo do Malawi para fornecer variedades de sementes de ciclo curto como milho, arroz, batata-doce, feijão  e estacas de mandioca logo que for possível”- disse a representante da FAO.

Ela sublinhou que são necessárias infra-estruturas de gestão das bacias hidrográficas para que mesmo com as chuvas abundantes, os danos sejam menos prejudiciais.

Segundo ela, a FAO está a trabalhar com o governo malawiano e seus parceiros para construir habitações mais resistentes e reduzir a exposição de riscos como cheias e estiagens.

O presidente Peter Mutharika declarou o país em estado de calamidade após as cheias que afectaram quinze dos vinte e oito distritos do país.

 

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