Nacional

Batelão novamente avariado

Tem acontecido de forma recorrente, nos últimos tempos, a avaria do batelão que liga a vila sede do distrito de Marracuene ao posto administrativo de Maçaneta na província de Maputo.

Já vão três semanas que o batelão que liga o posto administrativo de Maçaneta a Vila sede distrital de Marracuene encontra-se avariado. A situação está a condicionar a vida de centenas de cidadãos que usam aquele meio fluvial para se deslocarem de casa para o serviço e vice-versa ou ainda para diferentes actividades com maior incidência para a comercial.

Como forma de minimizar o sofrimento dos cidadãos vários operadores a título individual colocaram os seus barcos de madeira para o transporte de pessoas e carga.

É uma situação que carrega consigo todos os riscos possíveis visto que as embarcações não possuem condições apropriadas de segurança, nem estão vocacionados para aquele serviço.

Em ocasiões normais, as referidas embarcações, são geralmente usadas para pesca, mas e em virtude da avaria do batelão foram desviadas para o transporte de passageiros.

A avaria do batelão ocorre numa altura em que Macaneta está a registar um boom em termos de infra-estruturas económicas, com realce para a edificação de lounges através de investimentos nacionais e sul-africanos.

A situação está a deixar os utentes daquele meio fluvial agastados, porque tem recebido várias promessas de reparação do transporte, porém não concretizadas.

O problema ganha dimensões maiores quando se sabe que várias obras estão paralisadas, pois não existem condições adequadas para o transporte de material de construção, cimento, pedra, ferro e outros necessários para erguer um empreendimento.

A população local entende que a avaria acaba sendo prejudicial para os próprios nativos, pois devido ao boom de infra-estruturas os primeiros beneficiados nos postos de trabalho são eles.

Nas últimas duas semanas a procura de mão-de-obra refreou, porque não existem condições para o transporte de material de construção.

Aliás, a reportagem do domingo presenciou o transporte de ferro e pedra de construção em embarcações com capacidade para seis ou oito pessoas.

Segundo as mesmas fontes, nos últimos dois anos, o número de jovens que se deslocava de Macaneta para a vila de Marracune a busca de emprego reduziu significativamente. 

Maçaneta é um dos sete postos administrativos do distrito de Marracuene na província de Maputo que tem no turismo, agricultura e pesca as actividades principais.

Temo outra tragédia  

João Fernando Chiboleca

O dia 25 de Setembro de 2014 ficou marcado da pior forma na vida de João Chiboleca tudo porque perdeu a sua família (esposa e filhos) quando o batelão virou.

Agora perante a avaria do mesmo batelão faz prezes à Deus para que o pior não venha acontecer, pois os barcos que transportam passageiros não oferecem nenhuma condição de segurança.

No dia em que a temperatura mudar poderemos ter mais problemas, porque as pessoas sempre irão atravessar de barco para irem para casa, mas a procura não será tão intensa como num dia normal,alertou Chiboleca.

Para ele a solução passa pela rápida resolução do problema do batelão, embora esteja em curso uma acção governamental no sentido de colocar uma ponte que ligará a vila ao posto administrativo de Maçaneta.

Estamos a ver os trabalhos de perfuração para a ponte, mas sabemos que não estará pronta amanha, então preferíamos que arranje o batelão que funciona desde os anos 60,disse a fonte.

Estamos a prestar ajuda

Armando Cossa

Armando Cossa tripula uma das pequenas embarcações que garantem a travessia de passageiros e mercadoria da Vila Sede de Marracuene para Macaneta. Ele fala de sofrimento no seio da população originado pela avaria do batelão.

Nós estamos a prestar uma ajuda a população residente em Macaneta, Hondjawana, porque eles dependem da vila em termos de hospitais, produtos de primeira necessidade, entre outros, disse Cossa.

A fonte argumenta que estão a prestar auxílio, porque não existe outra alternativa, embora reconheçam o perigo que correm.

Os barcos de madeira foram construídos para actividade piscatória e tem uma capacidade instalada entre seis a oito passageiros.

A situação torna-se complicada quando faz ventania, pois é preciso fazer uma manobra para chegar ao destino, garantiu o tripulante.

Cada viagem custa cinco meticais, o mesmo valor é aplicado para a mercadoria (um saco ou pasta). No final do dia cada embarcação arrecada cerca de 300 meticais.

Jaime Cumbana

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