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AGRICULTORES À DERIVA: Quando a terra cala e o rio some

Por Jornal domingo

TEXTO DE GINOCA MAFUTINE

No coração do distrito da Manhiça, província de Maputo, a vida corre ao ritmo das estações, ainda que estas teimem em não cumprir o seu papel. A localidade da Maragra, conhecida por ser casa de centenas de trabalhadores agrícolas, vive hoje os reflexos do colapso da empresa ILLOVO, que durante décadas deu emprego, dignidade e esperança à população. Os dias por ali corriam com algum alento, movidos pelo som dos camiões que cruzavam os trilhos, levando e trazendo não só açúcar, mas também sustento.

Com o colapso da empresa,restou apenas o pó das estradas e o eco da memória de dias melhores. Hoje, quase todos os habitantes daquela região viram-se para a terra, o gado e o rio, tentando manter de pé um modo de vida que teima em fraquejar.

A agricultura tornou-se o pilar frágil sobre o qual a vida se tenta equilibrar, mas esse pilar está cada vez mais corroído: os campos de Matchanga, do outro lado do imponente rio Incomáti, são agora a única esperança para dezenas de famílias. Para lá chegar, os agricultores enfrentam um desafio diário: atravessar o rio em canoas velhas ou jangadas improvisadas, arriscando a vida numa travessia que, por vezes, parece tão incerta quanto a própria colheita.

Com os pés descalços e o rosto marcado pelo sol, carregam enxadas, cestos e uma fé teimosa. A mesma que se cultiva quando tudo parece perdido.

A terra, porém, está a ser cruel. A mesma que outrora dava milho, couve, tomate, feijão, batata-doce, arroz e muito mais, hoje nega quase tudo. Leia mais…

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