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Adeus, chefe Sumbe!

Morreu na passada quinta-feira Severino João Sumbe, vítima de doença. Jornalista reformado do jornal domingo, o chefe Sumbe, como era carinhosamente tratado, foi um líder que se destacou, acima de tudo, pelo exemplo.

Profissional extremamente metódico e rigoroso, foi na reportagem onde mais se destacou, tendo contribuído para a formação de uma nova geração de jornalistas do nosso semanário.

Foi admitido na Sociedade do Notícias no dia 13 de Janeiro de 1991, proveniente da Rádio Moçambique.

Homem de uma disciplina férrea, exímio organizador, grande líder e jornalista do terreno, facilmente se destacou, tendo sido nomeado, primeiro, chefe da Secção Nacional e, mais tarde, chefe da Redacção.

Mesmo na qualidade de chefe nunca e nunca deixou de ir à rua fazer reportagem. Era na rua que ele ensinava os seus repórteres a encontrar o melhor rumo para as suas histórias. Foi mestre do jornalismo prático.

O seu processo de reforma iniciou em 2007 e quando se despediu da Redacção ninguém teve dúvidas: o homem tinha cumprido a sua missão, calcorreando a estrada da vida profissional com liderança produtiva, comprometida com o trabalho e pautada pelo exemplo.

Como se pode ler nos depoimentos dos colegas, ele era o primeiro a chegar à Redacção e era quase sempre o último a sair. Destacou-se por ser disciplinador no bom sentido da palavra, defendendo que no local de trabalho devíamos conversar sim, mas sem nunca esquecer que o trabalho é que nos trouxe para ali.

Chefe Sumbe foi e sempre será um livro aberto para todos nós. Com ele aprendemos a arrepiar o caminho para um jornalismo de causas, comprometido com a verdade e que, sobretudo, reflectisse a justiça e o respeito pelos direitos humanos.

Mesmo reformado, dava força à juventude que ele ajudou a formar. Tentava mostrar que estava connosco. Olhava para nós como seus irmãos, sua família.

Foi-se o Homem, mas fica a obra. Fica, sobretudo, a semente que ele soube colocar em cada um de nós. Caminhamos firmes porque colocou em nós a rectidão e a disciplina na atitude que o nosso trabalho deve espelhar.

Ensinou-nos que responsabilidade define a essência do jornalismo e a verdade é o seu centro de gravidade e de equilíbrio com a razão. Chefe Sumbe partiu. Custa-nos acreditar. Uma verdade destas é difícil de aceitar. Resta-nos dizer que estamos aqui para seguir na estrada que nos ajudou a construir.

Sem dúvida, menos uma estrela deixou de brilhar no jornalismo moçambicano. A partir daqui do domingo vai um longo abraço e solidariedade à família enlutada. Estamos com ela neste momento particularmente difícil.

Jornalista preocupado em transmitir conhecimentos

– Jorge Matine

O chefe Sumbe foi, na Redacção do domingo, um jornalista sempre preocupado em aprender e também em transmitir os seus conhecimentos de jornalismo, acumulados durante a sua passagem pela Rádio Moçambique. Foi um trabalhador dedicado ao trabalho. Não olhava para a hora da saída. Gostava de organizar os seus repórteres de modo a tirar de cada um bom rendimento em cada edição do jornal. Era um profissional da rádio, mas rapidamente adaptou-se ao jornalismo escrito. O seu falecimento representa, sem dúvida, uma grande perda para o domingo e para o jornalismo moçambicano. Partiu um grande homem e um grande profissional.

Vivia para o trabalho

– Benjamim Wilson

A imagem mais marcante de Severino Sumbe, com quem trabalhei durante mais de 15 anos, era de levantar da cadeira e desligar incondicionalmente o televisor da Redacção quando visse que muitos de nós estávamos atentos a um determinado programa. Não queria que na Redacção houvesse relaxamento por parte do grupo de trabalho, embora não escondesse o seu fraco pelo seriado “Tom e Jerry”. Nas conversas que com ele privei, o chefe Sumbe – era assim que o tratávamos – repetia sempre que a Redacção era um espaço de trabalho e pouco de brincadeira. Alguns colegas chegaram a apelidá-lo de uma pessoa “louca pelo trabalho”. Como vivia nas proximidades do serviço, era capaz de abandonar a casa e o convívio familiar para ir se “distrair” com o trabalho. Chefe Sumbe era de pouca conversa. Vivia para o trabalho. Vai para o eterno descanso um homem singular e profissional íntegro. Até sempre!

Profissional exemplar

– Bento Venâncio

Severino Sumbe ou chefe Sumbe foi um profissional exemplar. Era o primeiro a chegar e o último a abandonar a Redacção. Foi um exímio educador. Ensinou-nos que o trabalho devia estar em primeiro lugar. Eu, particularmente, orgulho- -me de ser produto dos seus ensinamentos sobre jornalismo, primeiro quando era chefe do Nacional e, mais tarde, quando ele foi indicado para o cargo de chefe da Redacção. Partiu um homem exemplar do ponto de vista profissional e humano, mas ficou uma parte dele em cada um de nós.

Homem rigoroso

– Domingos Nhaúle

Conheci o chefe Sumbe em 2003. Durante os dias de trabalho, dizia constantemente que devíamos ter passado pela tropa para não estarmos sempre a reclamar de questões de agenda ou de trabalho. No início não entendia o sentido daquelas palavras, mas só mais tarde é que me apercebi que para ele a prioridade era terminar o texto o mais rápido possível e entregá-lo para edição e indicação da respectiva página. Recordo-me da vez que fomos entrevistar o falecido Cardeal Dom Alexandre em que me deu o prazo de uma hora para transcrever o conteúdo da cassete, trabalho que em condições normais tinha de ser realizado em três horas.

Sempre acompanhava os trabalhos dos colegas. Mesmo após a reforma ligava-me para comentar assuntos que escrevia, sobretudo, os relacionados com a política.

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