Nacional

Acentua-se degradação da Avenida 4 de Outubro

Texto de Idnórcio Muchanga e Fotos de Carlos Uqueio

O estado da avenida 4 de Outubro, no troço que liga os municípios de Maputo e Matola, entre os bairros Benfica e Zona Verde é deplorável e está a desgastar os automobilistas. A estrutura da via está em fase de degradação acentuada, incluindo a ponte sobre o rio “Mulaúze” que separa as duas edilidades.

Numa ronda efectuada pela nossa Reportagem, constatámos que os utentes daquela rodovia são obrigados a fazer manobras arriscadas para evitar os buracos e crateras abertas no asfalto, de modo a evitar estragos nas viaturas.

Segundo os automobilistas contactados pelo nosso jornal, a degradação da “avenida da paz” agravou-se na sequência das chuvas registadas no mês de Dezembro último. Para além das chuvas, a via deteriorou-se por causa do rompimento de uma conduta de esgoto que não teve uma pronta reparação, deixando escorrer as águas pela estrada em direção ao canal do rio Mulahúze.

No entanto, o péssimo estado daquela via obriga os automobilistas a usarem só uma faixa que ainda resiste à degradação. Em períodos de elevado tráfego, muitos automobilistas recorrem a vias alternativas não asfaltadas, como são os casos das Ruas Santo António e da Esquadra, que também não garantem uma boa mobilidade, pois estão igualmente degradados.

Desgastados com a situação, os munícipes que diariamente usam aquela via para diferentes pontos das duas autarquias, apontam o dedo à edilidade de Maputo, acusando-a de optar por reabilitações não profundas na zona sob a sua jurisdição.

Segundo eles, o Município de Maputo está a gastar dinheiro sem solucionar o problema daquele troço. Por isso, apelam a quem de direito para fazer uma intervenção de fundo de modo a não se repetir o actual cenário futuramente.

Em declaração ao domingo,os automobilistas disseram que o problema não é novo nas infra-estruturas da cidade de Maputo e Matola e sublinharam que o caso da Avenida 4 de Outubro merece maior atenção, uma vez que não passa um ano após a sua reabilitação.

Alguns operadores de transporte semi-colectivo de passageiros negaram prestar declarações ao nosso jornal, alegadamente por temer represálias. Outros diziam que não podiam conceder entrevista porque depois são mandados embora das rotas em que operam pela Associação dos Transportadores de Passageiros.

André Abichai, transportador de passageiros na rota de Benfica/Zona Verde, disse que há duas semanas que a edilidade de Maputo delegou por duas vezes uma equipa para tentar resolver o problema de esgoto que já tem “barba branca”, constituindo um atentado à saúde pública, mas o intento fracassou.

Falar da avenida “4 de Outubro” é desperdício de tempo, porque estamos perante edilidades indiferentes e inoperantes”, desabafou.

Por seu turno, Flávio Fondo, outro operador de transporte semi-colectivo de passageiros na rota de Machava Socimol/T3, observou que é necessária uma manutenção regular e de qualidade naquela rodovia.

A Avenida 4 de Outubro devia ser ampliada, passando a ter três faixas do que as actuais duas, considerando que é uma via principal que liga bairros populosos. O Governo só despende dinheiro em obras sem qualidade”, disse Fondo.  

A via clama também por melhorias noutro lado do Município da Matola, com várias secções degradadas, transtornando os automobilistas.  

Notar que a via possui crateras em algumas curvas, o que coloca em risco a circulação rodoviária. Do lado da Matola, a edilidade prometeu uma intervenção, mas ainda não se fez ao terreno.  

PERIGO À ESPREITA NA

PONTECA SOBRE MULAHÚZE

Um buracão abriu-se junto à ponteca do rio Mulahúze, na fronteira que separa os municípios de Maputo e Matola ao longo da avenida 4 de Outubro.

Segundo os utentes, a Polícia de Trânsito (PT) só sinaliza o perigo à noite quando tem agentes em serviço naquela zona, quando não está ali, não há qualquer sinalização do perigo.  

André Abichai, transportador de passageiros, disse que muitos já não usam aquela via por receio de a ponte desabar. “Éramos obrigados a usar a via de Molumbela que faz ligação entre a Estrada Nacional Número 1 e o Município da Matola, mas com as últimas chuvas, a ponteca sobre o rio Mulaúze naquele troço foi derrubada pela fúria das águas. Sem mais alternativas, voltamos a usar a 4 de Outubro. O que cria grandes engarrafamentos todos os dias e a qualquer hora do dia e da noite. Se calhar os dois municípios esperam reabilitar a ponte, quando a ponte desabar totalmente e haver uma tragédia”, queixou-se.

Dados em nosso poder indicam que na última reabilitação feita à via e a outras adjacentes, do lado de Maputo, o Conselho Municipal desembolsou cerca de 22 milhões de meticais. No entanto, os buracos voltaram a ganhar terreno em pouco tempo.

Do lado de Maputo, a obra foi executada pela empresa JJR Construções. A intervenção naquela via compreendeu também a reparação da vala de drenagem ao longo dos cerca de três quilómetros para a facilitação no escoamento de águas pluviais para o rio Mulaúze.

Município pavimenta

acesso a Khongolote

O Município da Matola vai pavimentar nos próximos dias três vias no Posto Administrativo do Infulene. Para o efeito, a edilidade lançou semana finda concursos públicos para as empreitadas. Trata-se das vias Khongolote-Molumbela, Nkobe-Mapandane e Mapandane-Nkonoluene. A primeira liga justamente os municípios de Maputo e Matola através da Estrada Nacional Número 1(EN1), enquanto as duas últimas estão no interior da Matola.

Os vencedores dos concursos serão anunciados em Fevereiro próximo, prevendo-se que iniciem imediatamente com as obras de pavimentação.

O vereador de Obras e Infra-estruturas no Município da Matola, Bernardo Dramus, disse ao nosso jornal que as três vias serão pavimentadas com recurso a pavet, material descrito como resistente e apropriado para cargas ligeiras.

O dirigente apontou que aquelas vias são crucias na ligação entre os bairros da Matola, daí que “é um trabalho importante que pretendemos fazer com qualidade ainda este ano”.

Idnórcio Muchanga

aly.muchanga@gmail.com

Fotos de Carlos Uqueio

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