
A Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane está a promover uma série de conversas e seminários, envolvendo a comunidade académica e oradores especialmente convidados, como forma de abrir as portas daquele estabelecimento de ensino superior para outros saberes e experiências.
Vários temas compõem esta cadeia de reflexões, abordando temas tão díspares quanto interessantes, que vão da Música e Dança como Património Cultural e Imaterial em Moçambique, passando pela Música Urbana de Influência Árabe até ao papel reservado aos Arquivos Audiovisuais no Séc.XXI.
A sala de palestras da ECA, local escolhido para os encontros, registou invariavelmente uma grande presença de estudantes e docentes, daquela Escola, e outros interessados nos temas ora em discussão.
O Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, a convite da Escola de Comunicação e Arte – Universidade Eduardo Mondlane, proferiu uma palestra subordinada ao tema: O Contributo da Cultura e Turismo para a Economia Moçambicana, no qual fez uma radiografia profunda das linhas-mestres de desenvolvimento cultural nas últimas quatro décadas e o papel que esta mesma cultura poderia desempenhar no quadro do desenvolvimento integrado do país.
Recordou que após a proclamação da independência Nacional em 1975, Moçambique, preocupou-se logo em construir o país tendo como um dos alicerces a cultura. Reconhecendo a vasta diversificação do nosso património cultural tangível e intangível, o Governo de Moçambique reconhece a necessidade de a nossa diversidade cultural contribuir para a coesão, consolidação da unidade nacional e a construção de uma nação costurada pela maximização das nossas semelhanças.
Acrescentou que não há duvidas que Quatro décadas depois, acompanhando as transformações sociais, politicas e culturais da sociedade contemporânea, Moçambique precisa requalificar as suas políticas públicas para impulsionar o potencial das manifestações culturais com vista a sua participação para o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades sociais.
Investigador sócio-cultural e artista plástico, Dunduro apontou os caminhos que, na sua óptica poderia alavancar a Cultura para outros patamares dizendo que o desafio da aposta nas indústrias culturais e criativas passa por conceber o desenvolvimento das regiões através da ligação entre a economia e a cultura, combinando aspectos económicos, culturais, sociais e tecnológicos.
No fundo, disse, “trata-se de criar, com base na criatividade e propriedade intelectual, produtos e serviços distintivos, que permitam o reposicionamento na cadeia de produção mundial, atraindo e retendo talento e capital para um desenvolvimento económico sustentável”.
ECONOMIA
Vs CULTURA
Para o ministro Dunduro, as indústrias culturais e criativas constituem um factor estratégico de competitividade; Sector gerador de emprego e riqueza; Meio de reforço da cidadania; Alavanca para a coesão social e territorial e importante veículo de afirmação internacional das comunidades.
Noutro desenvolvimento da sua apresentação, o Ministro Silva Dunduro clarificou que o conceito de Indústrias Culturais e Criativas (ICC) é vasto e diverso e abarca um conjunto de actividades que têm em comum a utilização da criatividade, do conhecimento cultural e da propriedade intelectual como recursos para produzir bens e serviços com significado social e cultural, como sejam as artes visuais, o património cultural, o artesanato, o cinema, a rádio, a televisão, a música, a arquitectura, o Design, a moda, a publicidade, entre outros.
“Há pouco tempo economia e cultura eram duas dimensões quase inconciliáveis, mas actualmente o mercado atravessou a cultura, integrando-a progressivamente em circuitos comerciais alargados de produção e distribuição, ao mesmo tempo que os conteúdos culturais moldam de forma cada vez mais relevante a produção, distribuição e consumo de bens e serviços económicos”, disse.
Acrescentou que as indústrias criativas são consideradas importantes para o desenvolvimento económico e social podendo contribuir para o reforço da competitividade das regiões, sendo de destacar: A sua relação com o Turismo: o número de turistas culturais tem vindo a crescer, o que num país com vasto património histórico e arquitectónico, constitui uma oportunidade para a criação de destinos turísticos únicos, designadamente associados a experiências criativas com forte componente interactiva.
O impacto das indústrias criativas, do turismo cultural e do marketing cultural na dinamização, regeneração económica, na regeneração urbana (arquitectura), na competitividade e projecção internacional dos centros históricos e das cidades, disse antes de exaltar a existência de uma classe de “pessoas criativas”, com espírito empreendedor, com competências, informação, conhecimento e talento capazes de potenciar a inovação e aposta na tecnologia.
“O contributo das indústrias criativas para a criação de produtos com características distintas e valor acrescentado, que os possam tornar competitivos, alguns dos quais em sectores relevantes para a economia nacional, como o mobiliário ou as indústrias dos têxteis, vestuário e calçado, onde o design, as marcas e a publicidade assumem um papel cada vez mais significativo”, sentenciou.
Para Silva Dunduro, um factor também de capital importância está na articulação das indústrias criativas com as tecnologias de informação e comunicação, que coloca verdadeiros desafios, não só em termos de criação e procura de novos conteúdos, como de novas formas de interacção, transformando modelos de consumo e formas de comunicação, divertimento e lazer.
Texto de Belmiro Adamugy
belmiro.adamugy@snoticicas.co.mz

