Internacional

Promessa feita, promessa cumprida, mundo mais inseguro

Em Fevereiro de 2019, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, deu a conhecer que, em seis meses, o seu país iria retirar-se de um dos poucos acordos de controlo de armas que “segura” as ambições belicistas das superpotências da guerra fria. Sob alegação de que Moscovo é culpado pelo fracasso do controlo de armas, Washington retirou-se formalmente, no passado dia 2 de Agosto, do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (INF, sigla em inglês). Da promessa feita e cumprida pelos EUA o mundo é que ficou menos seguro, pois as superpotências da guerra fria “livraram-se” das amarras que as impediam de desenvolver as suas respectivas indústrias armamentistas sem restrições.

A retirada dos EUA do INF enquadra-se dentro da estratégia trumpiana de remover o seu país de quaisquer acordos que, segundo o actual governo norte-americano, não são favoráveis ao interesse nacional. Empenhado em (re) tornar os EUA na única hiperpotência global (make america great again), a administração Trump procura eliminar qualquer obstáculo às suas ambições de grandeza. Ao retirar o país do INF, os trumpistas não só “desalgemam” o país das obrigações internacionais em relação à restrição do seu arsenal militar, mas também abre-se uma oportunidade de a indústria armamentista do país desenvolver pesquisas e testes outrora “proibidos”.

Assinado em 1987, o INF impedia que os Estados produzissem mísseis que, quando disparados, pudessem atingir 5500 km. O acordo não só impediu a produção de material bélico com essa capacidade, como também propiciou a destruição de um conjunto de materiais bélicos que “tornavam o mundo inseguro”. Simbolicamente, pode dizer-se que o INF estabelecia uma plataforma através da qual as grandes potências podiam concertar posições sobre a tipologia de armamento permitido em eventuais confrontações. A morte do INF pode ser analisada em duas dimensões: a das motivações do abandono por parte de Washington; e a das consequências do abandono sobre o sistema internacional. Leia mais…

 

Por Edson Muirazeque *

edson.muirazeque@gmail.com

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