Internacional

“Problemas do partido não estão resolvidos”

O director do Centro para o Estudo da Democracia da Universidade de Joanesburgo, Steven Friedman, comenta os resultados sublinhando que agora, existe “uma liderança eleita com uma 

grande maioria”. O que não quer dizer que os problemas fundamentais do partido estão resolvidos, na opinião do analista: “O presidente Zuma identificou-os durante o discurso no congresso. Mas, infelizmente, o ANC é melhor a identificar os problemas do que a encontrar formas de os resolver.” Com a eleição de Cyril Ramaphosa para vice-presidente do partido, regressa aos palcos políticos um peso-pesado da luta anti-apartheid.

Analistas consideram que Ramaphosa poderá trazer ar fresco à política sul-africana. O ex-secretário-geral do ANC é um dirigente histórico do partido. Quando Ramaphosa foi eleito no congresso, com 75% dos votos, os delegados irromperam em aplausos. Mas há também ressalvas: Ramaphosa acumulou nos últimos anos uma fortuna como empresário.

Os defensores da sua candidatura sublinharam os seus feitos na transição para a democracia plena no país e na elaboração de uma das mais modernas Constituições do mundo. Mas, para os críticos, Ramaphosa é a prova viva dos conflitos de interesses de políticos proeminentes com o “big business”, o grande negócio – afinal, o dirigente está em vários conselhos de administração de grandes empresas.

 

Ramaphosa poderá encontrar obstáculos 

 

O analista Steven Friedman considera que Ramaphosa vai encontrar no futuro uma forte oposição dos sindicatos. Ainda assim, afirma “Ramaphosa tem uma grande credibilidade no mundo dos negócios, é muito popular na classe média e nos meios de comunicação”.

Hein Möllers acompanha há décadas os acontecimentos na África do Sul para o Observatório da África Austral (o ISSA), próximo dos sindicatos. De acordo com o analista, a maioria dos sul-africanos ainda não beneficiou da democracia. E a paz social está seriamente ameaçada. Por esta razão, explica, “a nova liderança vai ter sobretudo a tarefa de conseguir um maior equilíbrio entre os diferentes grupos populacionais, e os grupos com maiores e menores rendimentos na África do Sul.”

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