Há duas semanas, o presidente dos EUA e o primeiro- -ministro de Israel, respectivamente Donald Trump e Benjamin Netanyahu, decidiram abrir um novo teatro de conflito no Médio Oriente, com os seus aviões a iniciarem bombardeamentos, sem aparente provocação, sobre o Irão.
A aventura militar foi apresentada como uma operação destinada a conter o poder iraniano e a estabilizar o equilíbrio regional. No entanto, a guerra parece já estar a produzir efeitos previsíveis, como é o caso da agitação nos mercados energéticos globais, mas também indesejados para o agressor, como é o alívio da pressão estratégica sobre a Rússia, facto que pode significar o enfraquecimento da posição da Ucrânia na guerra em curso na Europa.
A recente decisão de Trump em suspender temporariamente as sanções sobre o sector energético da Rússia, numa tentativa de aliviar a subida dos preços da energia, é ilustrativa de como decisões estratégicas num teatro de operações podem gerar consequências inesperadas noutro.
A Ucrânia aparece, assim, como uma vítima indesejada, ou colateral, da aventura dos EUA e Israel no Irão. Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, e os líderes europeus vieram a público criticar a decisão norte-americana por considerarem que a mesma ameaça a segurança da Europa. Quando os EUA e Israel aventuraram-se militarmente contra o Irão parece que acreditavam que o assassinato do líder supremo do país precipitaria, em poucos dias, a mudança de regime no país.
Os discursos de Washington e Telavive tendiam a apresentar uma narrativa messiânica de que os dois agressores estavam a criar as condições, eliminando a liderança, para o povo iraniano tomar o poder. Washington chegou mesmo a apelar a grupos rebeldes do país para que fizessem incursões militares contra o regime, numa tentativa de corroer a coesão do Irão a partir de dentro.
Duas semanas depois do início dos bombardeamentos o regime ainda não caiu, como também o Irão continua a mostrar que tem capacidade de retaliação. O país não só respondeu tentando atingir alvos em Israel, como também tenta atingir alvos dos EUA nos países do Médio Oriente. É um cenário perigoso que pode colocar praticamente toda a região em guerra. Leia mais…

