A política internacional dá muitas voltas e, algumas delas, tomam contornos irónicos. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, semana passada, que instruiu o Departamento de Defesa para reiniciar “imediatamente” os testes de armas nucleares do país. A decisão do presidente norte-americano visa, segundo ele, “igualar as circunstâncias” (estar em pé de igualdade) com as outras potências nucleares, nomeadamente a China e a Rússia. Na lógica de Trump, os EUA devem retomar os testes nucleares para impedir que estas potências alcancem o nível de destruição nuclear que Washington possui. O anúncio toma um contorno irónico porque, em 2023, a Rússia usou a mesma retórica, a de “estar em pé de igualdade”, para justificar a decisão de que iria abandonar o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares (CTBT1 , na sua sigla em inglês), pois isso lhe colocaria em “pé de igualdade” com os EUA, país que assinou o Tratado mas que não o ratificou. O anúncio de Trump, se materializado, faz antever um regresso aos tempos de competição nuclear que caracterizou o período da ocidentalmente baptizada como Guerra Fria, em que a realização de ensaios nucleares era sinónimo de grandeza.
Se os EUA materializarem a “vontade” do seu presidente, será a primeira vez, em três décadas, que o país conduzirá um teste nuclear. Trump justifica a sua decisão pelo facto da China, segundo ele, estar a aumentar rapidamente o seu arsenal nuclear. Segundo o presidente, embora os EUA possuam “mais armas nucleares do que qualquer outro país” no mundo, a China “alcançará o mesmo nível dentro de 5 anos”. Para além do receio de uma eventual “paridade armamentista” com a China, Trump está preocupado com os avanços tecnológicos nucleares da Rússia. Leia mais…

