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Groenlândia – a linha vermelha na aliança transatlântica?

Por Edson Muirazeque

A aliança transatlântica, materializada pelo braço armado dos EUA/ Ocidente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), está a atravessar um dos momentos mais sombrios da sua história recente. Na semana passada, vários países europeus enviaram tropas à Groenlândia, num gesto simbólico de apoio face às ambições expansionistas de Donald Trump, presidente dos EUA, que voltou a ameaçar assumir o controlo da ilha pertencente à Dinamarca. Washington desvalorizou a iniciativa europeia, afirmando que a mobilização não terá qualquer impacto na decisão de Trump. Ainda assim, o simples envio de forças militares — formalmente classificado como uma missão de reconhecimento — revela muito mais do que aparenta. Trata-se de um sinal político claro de que os EUA estão a aproximar-se de uma linha vermelha que os seus próprios aliados não estão dispostos a ignorar. Em Relações Internacionais, o comportamento dos EUA enquadra-se na dimensão “malevolente” da teoria de estabilidade hegemónica.

A teoria de estabilidade económica estabelece que o sistema internacional tem maior probabilidade de ser estável quando existir um Estado hegemónico para providenciar liderança. Na ausência de uma hegemonia ou quando o poder desta está a declinar, a estabilidade é difícil de manter. Historicamente, a Grã-Bretanha foi hegemonia no século XIX. Os EUA desempenharam o papel de hegemonia depois da II Guerra Mundial. Portugal, Espanha, Províncias Unidas (Holanda) e a Grã-Bretanha foram potências mundiais antes do século XIX, mas foram menos influentes que as hegemonias britânica e americana dos séculos XIX e XX.

 Por hegemonia entenda-se uma distribuição de poder extremamente desigual, onde um único Estado poderoso controla ou domina os Estados menores no sistema. Para ser hegemonia, um Estado deve possuir capacidades militares superiores nas áreas económica, de segurança e outras; ter vontade de liderar; e ter aceitação da liderança da hegemonia por parte dos outros grandes Estados. Outros Estados aceitam a liderança da hegemonia devido à persuasão, coerção, pontos de vista comuns ou ao desejo de protecção. Leia mais…

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