TEXTO DE PILATOS PIRES, em Adis Abeba
Adis Abeba, capital da Etiópia, acolhe mais uma Cimeira da União Africana e é o palco diplomático onde se discutem agendas continentais, resoluções políticas e estratégias de desenvolvimento. Porém, para mim, Addis Abeba revelou-se muito mais do que isso: uma cidade que se impõe aos sentidos, que provoca reflexão e que desafia, silenciosamente, a forma como pensamos no presente e futuro das cidades africanas. Não é por acaso que alguns lhe chamam o “Dubai de África”, a designação pode soar exagerada à primeira audição, mas à medida que se vislumbra a cidade percebe-se que há ali algo de profundamente transformador.
Addis Abeba é uma cidade em permanente mutação, onde o velho se converte em moderno, o arcaico dá lugar ao sofisticado e o artesanal convive, harmoniosamente, com a arquitectura contemporânea. É uma cidade que parece se reinventar a cada nascer do sol. Um dos meus companheiros de viagem, jornalista da Rádio Moçambique, e alguns quadros da Presidência da República resumiram essa transformação com uma metáfora tão improvável quanto poderosa: “é como ver Mafalala a transformar-se em Nova Iorque”.
A frase arrancou sorrisos, mas também provocou silêncio. Porque, no fundo, todos percebíamos que não se tratava apenas de uma comparação urbana, mas de um exercício de imaginação colectiva na tentativa de conceber o aparentemente impossível como algo alcançável. Leia mais…

