Internacional

Israel perde aliado de peso na questão do estatuto de Jerusalém

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Penny Wong, anunciou, na semana passada, que o seu país revoga uma decisão, tomada em 2018, em que o seu país reconhecia Jerusalém Ocidental como capital do Estado de Israel. Ao fazer o anúncio, a governante fez saber que o seu país arrepende-se da decisão tomada pelo anterior governo e reitera o seu compromisso à solução de dois Estados. Com o anúncio, Israel perde um “aliado de peso” na sua tentativa de legitimar a sua vontade de ver Jerusalém reconhecida como sua capital, uma vez que a larga maioria dos Estados no sistema internacional continua a situar as suas embaixadas e a reconhecer Tel Aviv como sua capital.

A Austrália, sob governação do Primeiro-ministro Scott Morrison, reconheceu Jerusalém Ocidental como capital de Israel em Dezembro de 2018. Na altura, o então governo de Camberra indicou que estava a “espera de transferir a sua embaixada para Jerusalém Ocidental quando for viável”, numa alusão de que o país continuava comprometido com a “solução de dois Estados”. No entanto, o Partido Trabalhista, que na altura se encontrava na oposição, denunciou a decisão de Morrison, por considerá-la incitadora de “uma variedade de riscos e nenhum ganho” e prometeu que a reverteria assim que chegasse ao poder. A actual ministra Wong é citada como tendo dito, na altura, que “reconhecer Jerusalém Ocidental como a capital de Israel, enquanto continuamos a localizar a embaixada da Austrália em Tel Aviv, nada mais é do que um exercício para salvar a face”. Depois de vencer as eleições federais realizadas em Maio passado e ter formado governo, eis que os trabalhistas cumprem a promessa de reverter a decisão do governo que os antecedeu em relação ao estatuto de Jerusalém. O estatuto de Jerusalém é, na verdade, uma das questões mais sensíveis do conflito que opõe israelitas e palestinianos sobre o controlo da Palestina. Desde que eclodiu o conflito israelo-palestiniano, em 1948, tanto os judeus como os árabes palestinianos reivindicam Jerusalém como sua capital. O Plano de Partilha, de 1947, que dividia a Palestina em dois Estados, um árabe e outro judeu, colocava Jerusalém sob um estatuto internacional, não atribuindo a soberania sobre o território a nenhuma das partes contendoras. Depois da Primeira Guerra Israelo-Árabe, entre Maio de 1948 e Março de 1949, Jerusalém foi dividida, ocupada, entre forças da Transjordânia, que tomaram o controlo de Jerusalém Oriental, e forças do recém-formado Estado de Israel, que ocuparam Jerusalém Ocidental. Leia mais…

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