Internacional

Fracassa golpe de Estado mas a situação mantém-se tensa

O líder do golpe de Estado desta sexta-feira em Burundi disse que os principais membros do seu movimento já se renderam depois da tentativa falhada de derrubar o presidente Pierre Nkurunziza.

“Nós decidimos rendermo-nos”, disse à agência de notícias AFP o general Godefroid Niyombare, acrescentado que as tropas leais ao presidente estavam aproximando-se dele.

Ele foi citado a dizer que “espero que eles não nos vão matar”.

Um porta-voz presidencial disse que três generais envolvidos na tentativa de golpe de estado tinham sido presos, mas que o general Niyombare ainda estava em fuga.

Horas antes, o vice de Niombare admitiu que a intentona contra Kurunziza havia sido frustrada, após um dia de violentos combates entre as facções rivais do Exército.

“Pessoalmente, eu reconheço que o nosso movimento falhou”- disse a AFP o general Cyrille Ndayirukiye.

“Fomos confrontados com uma determinação militar avassaladora em apoio ao poder” –acescentou o general Ndayirukiye.

O reconhecimento do fracasso do golpe surgiu logo depois de a Presidência ter anunciado que Nkurunziza, que estava no exterior quando o golpe foi declarado, tinha regressado ao seu país.

Ele estava na vizinha Tanzânia numa reunião extraordinária dos chefes de Estado da Comunidade da África Oriental para discutir a situação política no Burundi, quando o poderoso general Godefroid Niombare lançou o golpe de Estado, no culminar de semanas de violentos protestos de rua contra a proposta de Nkurunziza de se candidatar para o terceiro mandato.

Niombare é um oficial altamente respeitado que foi demitido do seu posto de inteligência em Fevereiro, quando se opôs a tentativa de Nkurunziza para fazer o terceiro mandato.

A tentativa de golpe de Estado levantou temores sobre o retorno da violência generalizada num país empobrecido, que ainda está a recuperar de uma guerra civil de treze anos que terminou em 2006 e deixou centenas de milhares de mortos.

No início da quinta-feira, as tropas leais ao governo disseram que tinham enfrentado dois grandes ataques de soldados rivais numa batalha renhida pelo controlo da rádio estatal, considerada estrategicamente importante.

Os corpos de três soldados foram vistos por um jornalista da AFP na rua perto do local dos confrontos.

Durante grande parte do dia, as ruas estavam quase desertas e confrontos esporádicos podiam ser ouvidos noutras partes da cidade de Bujumbura, enquanto nuvens de fumaça eram vistas no horizonte da cidade.

Ambos os lados em diferentes momentos reivindicaram controlar as ruas, aumentando a confusão sobre o resultado do golpe, mas na quinta-feira a noite, a intentona parecia ter sido esmagada.

A luta pela ocupação da rádio nacional pública do Burundi foi vista como crucial para o controlar o fluxo de informação

Condenação internacional

O Conselho de Segurança em reunião de emergência sobre a crise pediu o fim da violência e “a realização de eleições credíveis”, enquanto separadamente o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-Moon condenou “as tentativas de derrubar governos eleitos  pela força militar” e pediu a calma

A oposição e grupos dos direitos humanos insistem que a candidatura de Nkurinziza ao terceiro mandato é inconstitucional.

No entanto, o presidente argumenta que o seu primeiro mandato não conta uma vez que ele foi eleito pelo parlamento e não pelo povo.

O Tribunal Constitucional do Burundi decidiu a favor de Nkuinziza para o terceiro mandato.

Mais de vinte e cinco pessoas foram mortas e dezenas de feridos desde finais  de Abril, altura em que começaram manifestações contra Nkurunziza. Por outro lado, mais de cinquenta mil burundeses fugiram da violência para países vizinhos nas últimas semanas, com a ONU a preparar condições logísticas para os deslocados.

Com o recrudescimento da violência no Burundi, milhares de burundeses vão continuar a imigrar para Moçambique, Tanzânia, Ruanda e Malawi, alguns dos quais ilegais.

Há dias, Malawi anunciou que a partir de um de Julho os pequenos comerciantes burundeses que operam nas zonas rurais deverão transferir-se para os centros urbanos  devida a alegada concorrência com os locais.

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