TEXTO DE PILATOS PIRES
Tive o privilégio de estar entre os que escalaram o território nipónico para cobertura, em Agosto, da nona Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD 9). E, por ter sido a minha primeira vez naquele país, a curiosidade e o entusiasmo apoderaram-se de mim desde o primeiro instante.
A admiração pelos japoneses começou ainda antes de eu ter verdadeiramente conhecido o país. Chegara ao Aeroporto Internacional de Narita após uma longa viagem iniciada no Aeroporto Internacional de Maputo, em Moçambique, com escala em Doha, no Qatar. Saído deste ponto, partilhei nove horas de conversa com um companheiro marroquino. Falámos de tudo um pouco — das nossas expectativas, das diferenças culturais, da magia de viajar. Mal sabíamos que, ao desembarcar, viveríamos um episódio que se gravaria na minha memória como um dos maiores testemunhos de civismo e honestidade que já presenciei.
Enquanto aguardávamos a recolha das bagagens, o meu colega apercebeu-se de que perdera um dos seus três telemóveis, provavelmente esquecido na casa de banho do aeroporto. Aflito, voltámos ao local na esperança de o encontrar, mas não havia sinal do aparelho. Dirigimo-nos então à administração do aeroporto, onde fomos informados de que o telemóvel fora encontrado e estava guardado à espera do legítimo proprietário. Leia mais…

