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            O Presidente da República (PR), Filipe Jacinto Nyusi, conferiu posse aos 22 ministros e 18 vice-ministros que corporizam a sua máquina governativa. Os novos governantes já estão no terreno para correr contra o tempo tendo em vista a criação do bem-estar das comunidades. Aos empossados, Nyusi voltou a repisar a necessidade de serem pragmáticos e apresentarem resultados palpáveis “ao povo que é seu patrão, verdadeiro dono do poder”.

            Segundo o PR os novos titulares das pastas ministeriais devem privilegiar o trabalho em equipa e procurarem sempre estimular os seus subordinados a libertarem os seus talentos em prol dos objectivos institucionais.

            Para ele, o chefe que teme o seu subordinado não é líder, e transmite insegurança. O subordinado que pensa que faz mais que o seu superior distrai-se do facto que chefe é quem favorece a sua produtividade e crescimento.

            “Saibam ouvir os vossos colaboradores e obedecer os vossos superiores, mas não tenham medo de tomar decisões. Não vão faltar dificuldades, é certo. Mas foi exactamente pensando nos grandes desafios a enfrentar, que procuramos trazer na equipa deste governo quadros de reconhecido mérito, com competências de liderança e profissionalismo comprovadas, quadros da nossa inteira confiança”,disse Filipe Nyusi.

            Num discurso meramente didáctico, o Presidente da República vincou que Governo por ele formado era de muito trabalho que deve produzir resultados, tendo em vista à solução dos problemas do povo.

            “Aos titulares das pastas ministeriais, exigimos mais eficácia e eficiência no desenho e implementação dos planos de desenvolvimento. Cada dia que findamos, cada um de nós, ao consultar a nossa respectiva tabela de realizações, deve saber porque um dia foi diferente do outro. Temos que ter a capacidade de autoavaliação para melhorarmos em cada dia o nosso desempenho”,disse o PR para depois acrescentar que toda a acção governativa de ser orientada para a redução das assimetrias regionais e locais.

            Tomaram posse os seguintes novos ministros: Carlos Agostinho do Rosário, Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, Ministro da Economia e Finanças, Oldemiro Baloi, Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco, para Agricultura e Segurança Alimentar, Carmelita Namashulua, Administração Estatal e Função Pública e Vitória Diogo, Trabalho, Emprego e Segurança social.

            Igualmente foram investidos: Adelaide Amurane, Ministra da Presidência para Assuntos da Casa Civil, Basílio Monteiro, do Interior, Agostinho Mondlane, Águas, Interiores e Pescas, Pedro Couto, Recursos Minerais e Energia, Nazira Abdula, para a pasta da Saúde, Alberto Nkutumula, Juventude e Desportos, Ernesto Tonela, Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, Transportes e Comunicações, Celso Coreia, Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural e o Major-General General na Reserva, (que erradamente na nossa última edição o apresentamos como Brigadeiro), Atanásio Ntumuke, para a pasta da Defesa.

            Ainda fazem parte do elenco do Nyusi os ministros: Carlos Martinho, titular da pasta das Obras Públicas e Habitação, Jorge Ferrão, da Educação e Desenvolvimento Humano, Cidália Chaúque, do Género, Criança e Acção Social, Silva Dunduro, da Cultura e Turismo e Jorge Nhambiu, Ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional.  

            SERVIR MELHOR O POVO

            Os novos membros do Conselho de Ministros comprometem-se a tudo fazer no sentido de melhor servir o povo e, desta feita, corresponder cabalmente ao desafio lançando pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi.

            Segundo defenderam, com a sua investidura para os cargos ministeriais estão criadas as condições para que desenvolvam acções que inspirem confiança do povo, sobretudo, as de promoção do desenvolvimento económico, social e cultural do país.

            O Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, entende que depois da tomada de posse o passo a seguir é trabalhar arduamente e identificar acções concretas para resolver os problemas do povo.

            “Teremos que nos esforçar o máximo possível para que o nosso trabalho se traduza em resultados concertos. Neste momento, a prioridade é para aprovação do Plano Económico e Social e o respectivo Orçamento”,disse do Rosário para quem tudo o que for feito deve reflectir-se no bem-estar da população.

            Para o titular da pasta da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, a prioridade passa pela aprovação a breve trecho do Plano Quinquenal de governação para os próximos cinco anos para fazer face aos anseios do povo moçambicano.

            “Temos que ver ainda o Plano Económico e Social e o Programa Quinquenal do Governo materializados. Preciso, naturalmente, de conhecer melhor a casa, articular com os outros ministros para vermos o que é que podemos definir como prioridade neste momento”,disse Adriano Maleiane, quando instado a pronunciar-se sobre que prioridades leva para o seu sector.

            Sublinhou que é preciso articular com todos os ministérios e outros actores da sociedade para se encontrar um orçamento, um programa que tenha a participação das comunidades. “Uma das prioridades é encontrar as formas de financiamento. Naturalmente vamos ver quais são as actividades a fazer, mas de imediato está claro que a emergência é uma realidade. Temos que saber como é que está a ser colmatada e se existe algum problema”.

            Por seu turno, Oldemiro Baloi, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, disse que a sua recondução ao cargo não se trata apenas de uma mera continuação mas sim um desafio de realizar um diagnóstico profundo e actualizado sobre as questões existentes no seu pelouro e resolve-los eficazmente.

            “Durante os últimos cinco anos muita coisa mudou. Tenho uma equipa nova, uma nova vice-ministra, naturalmente que terei novos directores. Momentos como estes devem servir de uma profunda reflexão de onde viemos, como viemos, como estamos, para onde queremos ir e como. Daí é que virão as respostas com relação a cada um dos domínios político -diplomático, da cooperação, da desminagem, das comunidades moçambicanas no exterior e dos refugiados”,disse Baloi.

            Mais adiante Balói sublinhou que“temos desafios internacionais complexos. A paz e estabilidade ainda não são uma realidade em todo continente africano e no mundo, o terrorismo assume contornos cada vez mais assustadores e nós temos que estar em condições de nos defendermos”.   

            Para Jaime Basílio Monteiro, Ministro do Interior, a paz e a estabilidade constituem as prioridades do pelouro que vai dirigir. “Temos que continuar a promover o ambiente de paz, estabilidade e melhorar os níveis de provisão de serviços. O povo deve ganhar melhor segurança, pelo que tudo faremos para que isso aconteça”.

            Sublinhou que a colaboração da população é necessária para a garantia da estabilidade social. “Vamos ainda incrementar os níveis de atendimento aos cidadãos nas nossas diferentes áreas assim, como melhoramos os níveis de produção e distribuição dos documentos de identificação e viagens”.

            Para Jorge Ferrão, Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, a disponibilização de mais salas de aulas e respectivas carteiras será um dos aspectos a ter em conta no sector que vai dirigir.

            “Estivemos a rever alguma agenda imediata e decidimos que vamos tentar resolver o problema das carteiras para fazer com que todos os alunos possam ter um lugar para sentar de forma condigna e aprender”disse Jorge Ferrão.

            Resolvida esta questão, segundo ele, o passo a seguir será atacar o problema dos salários em atraso de alguns docentes, onde será preciso colocar todas as instituições envolvidas e encontrar uma forma para resolver a questão.

            “Estes são os primeiros dois elementos importantes a resolver. Quanto aos restantes, teremos que sentar e questionar e contarmos com a intervenção da própria sociedade civil, que tem de opinar para a sua rápida solução. Há várias reclamações segundo as quais as crianças não sabem ler e escrever, daí que teremos de encontrar as razões desse problema”,apontou Jorge Ferrão.

            Por sua vez, Vitória Diogo, Ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social considera como prioridade para o seu sector prosseguir com esforços tendentes ao fortalecimento do Sistema de Previdência e Segurança Social do trabalhador.

            “Vamos prestar maior atenção ao Sistema de Segurança Social para o tornar cada vez mais robusto e fortalece-lo para que os moçambicanos tenham uma segurança social efectiva e cada vez mais digna. Portanto, vamos fazer de tudo para que as relações laborais sejam sustentáveis, daí que vamos privilegiar o diálogo tripartido, governo - empregador e trabalhador”,disse Vitória Diogo, para quem a capacitação profissional será outra bandeira a ter em conta para que mais cidadãos se insiram no mercado do emprego.

            Carlos Mesquita, titular da pasta dos Transportes e Comunicações diz levar como prioridade a melhoria do sistema de transporte público, quer interurbano, assim como provincial.

            “Temos que ter em conta todos os aspectos relacionados com o transporte público de passageiros, quer dizer, perspectivar de forma conjunta que estratégias devemos encontrar para resolvermos esta problemática nas capitais provinciais”,disse Mesquita para depois acrescentar:

            “Também temos uma larga costa marítima, daí que é preciso apostar no transporte de cabotagem que obviamente tem implicações na redução do custo dos produtos ao consumidor. Há que aperfeiçoar igualmente toda logística para o transporte inter modal para o qual temos que ver quais são as políticas a definir, de modo a acoplar ao que já foi definido de forma a dar o melhor entrosamento de todas as actividades que cabem ao Ministério dos Transportes e Comunicações”.

            Celso Correia, Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural considera ser crucial dar continuidade aos projectos do desenvolvimento dos distritos, aspecto que passa pela manutenção do fundo de investimento para estas regiões, vulgo sete milhões de meticais.

            “Os 7 milhões vieram dar uma nova dinâmica e forma de ser e estar dos distritos. Portanto, são uma solução, uma marca de sucesso que criou postos de trabalho e um impacto memorável na vida das populações. Daí que este fundo merecerá uma análise em fórum próprio”,disse sublinhando que é necessário dotar os beneficiários de conhecidos sólidos para a sua gestão.

            A Ministra da Saúde, Nazira Abdula entende que a prioridade vai para a redução do tempo que os doentes aguardam para serem atendidos nas unidades sanitárias para tornar o sector mais dinâmico e alegre.

            “Ao longo do tempo que trabalhei como vice-ministra e médica fui analisando e entendi que um dos principais problemas a atacar é a redução da distância para encontrar uma unidade sanitária, daí que terei ampliar o pilar das infra-estruturas. O segundo aspecto, e que muitas vezes aparece através da comunicação social, é a questão do mau atendimento. Vou reunir com o pessoal da Saúde para tentar resolver o problema”,disse Nazira para quem a falta de medicamentos nas unidades sanitárias é outro problema a ser atacado.

            Alberto Nkutumula,Ministro da Juventude e Desportos, diz que antes de tomar qualquer decisão há que reunir com os fazedores do desporto e a juventude para encontrar soluções para resolver os problemas do sector.

            “As prioridades serão definidas com base na auscultação que vamos fazer aos jovens, desportistas e todos os intervenientes neste sector. Brevemente, vamos sentar com todas as sensibilidades e com base nas suas preocupações iremos definir aos aspectos a atacar logo no princípio”,disse Nkutumula, sublinhando que há que definir as causas dos desequilíbrios no sector desportivo.

            Acrescentou que há que lapidar talentos ainda na tenra idade e isso passa pela edificação de mais infra-estruturas desportivas. “Como disse o nosso Presidente, há que haver o envolvimento de todos os moçambicanos, onde todos temos que nos sentir envolvidos, todos com ideais e problemas, daí que juntos vamos resolvê-los”.

            Leda Hugo, vice-ministra de Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico- Profissional é de opinião de que as prioridades continuam a ser a expansão das instituições de formação, quer seja do ensino superior, assim como técnico-profissional.

            Ainda constitui prioridade para Leda Hugo, o acesso, no contexto da equidade nacional, como também a formação em áreas que obviamente são novas. “Para o efeito, a solução é muito trabalho de equipa e de coordenação para superarmos os desafios que são impostos pelo desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação”.

            Domingos Nhaúle

            Fotos de Inácio Pereira