O vírus da estupidez

“O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê…” – Platão

É consensual que uma fotografia vale por mil palavras. Mas algumas devem valer muito mais. Neste particular, diríamos que algumas valem por duas mil palavras. Exemplo: a fotografia mostrando um grupo de jovens bebericando umas cervejolas na praia da Costa do Sol a partir de um “coleman”, cheio de bebidas alcoólicas, parcialmente enterrado na areia.

Duas coisas – de entre muitas que se podem inferir: os prevaricadores têm consciência de que estão a violar uma das orientações soberanas sobre o consumo de álcool em lugares públicos – daí terem enterrado o “coleman” – e, por outro lado, fazem gala da estupidez e da incúria – tiraram a foto posteriormente partilhada nas redes sociais; é importante frisar que eles não foram fotografados por um estranho não; posaram mesmo a propósito.

Para uma pessoa com dois palmos de juízo aquela imagem é, no mínimo, despropositada. Terrível mesmo. Como podem pessoas (?) agir com semelhante desprezo pela própria vida? Jogar a vida na roleta russa sem pejo nenhum, numa altura em que a covid-19 preocupa até as nações mais poderosas do mundo dada a violência inaudita com que ceifa vidas e faz colapsar serviços de saúde em todo o lado pela grande demanda daí resultante. Imagine-se como os responsáveis pela saúde no nosso país devem estar diante daquelas imagens e de outras onde o distanciamento social é letra morta.

É preocupante o descaso com que a questão é tratada. Dá a impressão de que, ultrapassado o período de choque, uma boa franja da população entrou em modo de relaxamento. Nas ruas, é normal caminhares uns quinhentos metros e só te cruzares com uma ou duas pessoas “mascaradas”; o resto da malta está se borrifando para as medidas de prevenção. A vida corre como se não houvesse uma ameaça latente sobre as nossas cabeças.  Leia mais...

Por Belmiro Adamugy

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