PREDESTINAÇÃO OU LIVRE ARBÍTRIO? EIS A QUESTÃO!

Hoje por hoje, tenho saudades do tempo da minha tenra idade (ingénua criança de poucos anos, com espírito pouco amadurecido). É que me limitava a obedecer e a acreditar em tudo quanto os meus pais e as minhas avós ensinavam. Nunca parava para questionar ou pôr em causa a justeza ou não dos seus ensinamentos.

(Vivia com a disciplina de medo. O meu respeito para com eles era simultaneamente de medo). Já na minha adolescência (fase que marca a transição entre a infância e a idade adulta), aos domingos, logo pela manhã, diligentemente, depois de limpar os dentes com “mhwangu la”/”nsangula”/”mulala”, tomava um banho simples com água fria numa panela de barro (“nkamba”). Detestava (detesto até hoje) tomar banho com água quente, pôr sabão no corpo, e lavava os cabelos com “nkwarisa”-”nyume” ou “mahlehlo” (shampoo anti-caspa de plantas naturais e muito saudáveis). Finalmente, vestia o meu traje domingueiro, mais cuidado do que o que vestia diariamente: sapatilhas, peúgas, calções e camisa, tudo de cor branca e caminhava alegremente seis quilómetros até ao templo na missão, cujo culto, incluindo a escola dominical, demorava duas horas (das dez às doze). Depois, regressava para casa muito feliz, com o sentido do dever paterno e divino cumprido. Eu era único que seguia aquela rotina, pois os meus amigos e companheiros da escola nenhum deles professava a minha religião protestante (Metodista), que era da minha avó materna e dos meus pais. Alguns (dos meus amigos e colegas da escola) eram da Religião Católica Apostólica Romana, onde aprendiam a consolidar tudo quanto afirmassem pelas expressões: juro como cristão; pelo amor de Deus; cinco chagas de Cristo. Outros eram muçulmanos (cujo juramento consistia em dizer: “haki, imanti, qurani sharif”. Muitas vezes eu ficava constrangido com estes juramentos por que no templo aprendíamos a não jurarmos por coisa nenhuma. O nosso monitor da escola dominical insistia connosco para que “seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não, porque o que passa disto é de procedência maligna.” (cf. Mateus 5:37). Já jovem, com o corpo físico atlético e vigoroso, mas simultaneamente fleumático, pautando pela ponderação, nas acções pensadas e planeadas e pela baixa emotividade, conheci a minha primeira namorada que professava a religião católica apostólica romana. Muito convicta, ela tentou converter-me seguindo-a nas suas rezas. A tentação durou uns longos cinco anos acabando por rompermos a nossa relação, devido a não me sentir à vontade quando ela insistia para juntos reverenciarmos à coroa de São Miguel Arcanjo, uma devoção religiosa católica que consiste na recitação de nove (9) invocações correspondentes aos nove (9) coros de anjos, acompanhados pela oração de um Pai Nosso e de três (3) Ave Marias em honra de cada um dos coros de anjos e a proferir “o Kyrie, eleison. Christe, audi nos. Christe, exaudi nos...” que é a “Ladainha de Nossa Senhora” em latim.

Por Kandiyane Wa Matuva Kandiya

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