
Em contacto com a nossa reportagem, ensaia as primeiras palavras, entre uma tossidela e outra, que dilacera o peito e enche-nos de medo, afinal a sua máscara descartável, suja e desbotada, denuncia o prazo de validade já ultrapassado.
Wate é a sua identidade, aqui parcialmente omitida. Falamos de uma jovem de 21 anos, que mal se equilibra na sua frágil estrutura óssea.
No habitual ponto onde busca o pão de cada dia, convive com as suas actuais parceiras de cena: A. Mondlane, uma deficiente física operada em 2019 a miomas, e vovó Julieta, uma anciã que espanta as agruras da vida através do canto e da dança, mas que mal disfarça a lágrima que lhe escorre olho abaixo, quando fala dos seus apertos.
Ali, levam a vida como podem, um dia de cada vez, numa sala sem portas, sem janelas, onde dançam ao ritmo de quem dita as regras de jogo, como mendigas. Chegam ao local após percorrerem quilómetros de distância à busca do indefinido e encaram o ronronar dos automóveis que, de segundo a segundo, passam nas suas vistas. Suportam, igualmente, os insultos audíveis de quem não está para dar a tão almejada esmola.
Mas, de quando em quando, a quinhenta chega-lhes às mãos e, com isso, abre-se a esperança de conseguir a refeição do dia. Essa é a versão por elas contada, conforme se pode acompanhar nas linhas que se seguem. Leia mais...
TEXTO DE CAROL BANZE
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Fotos de Inacio Pereira





























































