A Força de Alerta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) deverá chegar a Moçambique dentro em breve para prestar a sua ajuda no combate ao terrorismo que assola alguns distritos da província de Cabo Delgado.

A garantia foi dada esta manhã, em Maputo, por Mpho Molomo, representante especial da missão conjunta da SADC, no final da audiência que lhe foi concedida pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo.

Na ocasião, Mpho Molomo destacou que actualmente encontra-se em Moçambique um grupo de militares que, com a ajuda do Governo, está a trabalhar no estabelecimento de escritórios, com vista a uma melhor intervenção em Cabo Delgado.

Os estados membros da SADC estão todos a trabalhar com vista a criar condições para mandatar as suas tropas à Moçambique, o que será em breve. Asseguramos que quando tudo estiver pronto e as forças estiverem cá vamos anunciar a sua chegada”, disse.

O representante especial da missão da SADC referiu ainda que “a presença da SADC em Moçambique visa acompanhar o país bem como expressar a nossa solidariedade em relação à actual situação no norte da Cabo Delgado. Também queremos facilitar a restauração da paz e tranquilidade como forma de garantir o desenvolvimento da nossa região”, sublinhou.

Por seu turno, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, explicou que a chegada das força da SADC a Moçambique significa esperança e a concretização de sonho dos líderes da região de erradicar o terrorismo e as suas manifestações no país.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, esclareceu, hoje, em Nhamatanda, província de Sofala, que o único objectivo da participação de forças estrangeiras no combate ao terrorismo em Cabo Delgado é a paz.

No âmbito das visitas que o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS) está a efectuar às diversas unidades militares e paramilitares, escalou hoje a Escola de Sargentos da Polícia Tenente General Oswaldo Assahel Tazama, em Metuchira, Nhamatanda, onde explicou a essência da ajuda que Moçambique está a receber para combater o terrorismo.

Na ocasião, Filipe Nyusi elucidou que o terrorismo é um problema global, razão pela qual os países do mundo se unem para o seu combate.

“Devem ter acompanhado ao longo da semana que a situação do combate ao terrorismo evoluiu com o envolvimento de forças estrangeiras. Vamos receber forças da SADC que vão dar aquilo que podem, mas também estão aqui os nossos amigos do Ruanda”, explicou o Chefe do Estado.

Uma vez que tem havido questionamento sobre porque só agora é que Moçambique está a receber o apoio de forças estrangeiras, Filipe Nyusi esclareceu que o país tinha de se organizar para receber tal ajuda. De igual modo, os países que estão a auxiliar Moçambique tinham de se preparar para viajar porque “vêm aqui para entrar em combate”.

O Chefe do Estado avançou que pode haver quem pergunte será que Moçambique não pode (sozinho combater o terrorismo?).

“Em relação ao Centro não houve esta preocupação dos vizinhos porque (os ataques) têm outro formato. Quando se trata de terrorismo é todo o mundo. Os países que nos ajudam têm interesses pela paz . Quando há problemas aqui, há também para os países vizinhos”. disse.

A Fundação Matias Machline doou ontem 40 mil toneladas de produtos alimentares e material de construção em apoio às vítimas de terrorismo em alguns distritos de Cabo Delgado.

A oferta foi entregue à Primeira-dama, Isaura Nyusi, que afirmou que o cenário de desestruturação familiar causada pela movimentação de inúmeras pessoas dos seus locais de origem tem  colocado desafios para a sua assistência.

Isaura Nyusi frisou que as vitimas enfrentam dificuldades que só podem ser minoradas com o envolvido de todas as forças vivas da sociedade.

Para ela o donativo terá um impacto muito significativo no seio das comunidades afectadas, dado que o número dos deslocados tende a aumentar na região norte do país.

O Presidente da República e em exercício da SADC, Filipe Nyusi , exorta os Chefes do Estado e Governo da região a aprofundarem o conhecimento sobre o terrorismo que assola alguns distritos da província de Cabo Delgado, por fora a encontrarem uma resposta cabal, colectiva e regional, evitando que o mal se alastre para outros países.

Nyusi, que falava na abertura da Cimeira Extraordinária da SADC considera ser imperioso o estudo das células terroristas espalhadas pela região, “de modo a garantir o sucesso no combate a este flagelo, e salvaguardar os nossos valores culturais, os interesses sócio -económicos e defender as nossas soberanias”.

Para o Presidente Nyusi a abordagem deve partir do pressuposto de que o terrorismo é uma ameaça global que exige esforços conjugados para o seu combate exitoso.

 “Não descansaremos enquanto não alcançarmos a vitoria final que é a paz e o progresso em cada canto da nossa região, sublinha.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, reafirmou que os jornalistas devem pautar  pelo respeito pelos valores mais elementares da família e dignidade da mulher e criança na divulgação da informação, sobretudo a atinente ao terrorismo que afecta alguns distritos da província de Cabo Delgado.  

Os nossos concidadãos não merecem ser expostos quando são atacados pelo terrorismo . O cidadão tem de ser maximamente respeitado”, sublinhou o Chefe do Estado.

Nyusi, que falava hoje em Maputo momentos depois de conferir posse a Eliseu Bento como membro do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), afirmou aquele órgão tem a nobre responsabilidade de garantir a livre circulação de informação na sociedade, assegurando a independência dos órgãos de comunicação social no exercício de direito à informação e liberdade de imprensa .

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