A Turquia, aproveitando-se do anúncio da retirada das Forças Armadas Americanas, lançou uma ofensiva militar de alta intensidade desde o dia nove de Outubro do corrente ano. A ofensiva destina-se a combater e desestruturar a milícia curda das Unidades de Protecção Popular, antes apoiadas pelos EUA no contexto da luta contra o Estado Islâmico. A investida turca tem na verdade que lidar com três actores, nomeadamente: os irredentistas Curdos, os EUA e a União Europeia.

Quanto ao irredentismo curdo, importa salientar que o conflito entre o Governo turco e os irredentistas turcos remonta ao fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, com a desagregação do Império Otomano. Desde então, os Curdos reivindicam território para estabelecerem o seu estado. Contudo, esse sonho de formação do Curdistão como estado continua uma miragem tal como é uma miragem a formação do estado palestino. É essa reivindicação curda que ameaça e une vários estados do Médio Oriente, nomeadamente, Turquia, Iraque, Síria, Irão e Arménia, contra os movimentos independentistas curdos, dentre eles o Partido dos Trabalhadores do Curdistão e a milícia curda das Unidades de Protecção Popular. Assim, do ponto de vista turco, a ofensiva visa eliminar ou fragilizar um inimigo que ameaça a unidade territorial dos estados turco, iraquiano, iraniano e até mesmo sírio. A ofensiva turca é, nesse sentido, uma acção de defesa da soberania do estado na componente de unidade territorial.

No que diz respeito aos EUA, importa realçar que estes se serviram da milícia curda das Unidades de Protecção Popular para combater, com sucesso, o Estado Islâmico, que neste momento parece fragilizado. Porém, a ofensiva turca embaraça os EUA que se sentem parceiros tanto da Turquia, que é membro da OTAN, como da milícia curda que apoiou os EUA a rechaçarem o Estado Islâmico. Diante do dilema, os EUA têm demonstrado uma tremenda insegurança no seu posicionamento. Num primeiro momento, os EUA disseram que apoiavam os curdos e que a Turquia não devia ultrapassar os limites. Porém, a exigência de clareza de posicionamento por parte de Recep Tayyip Erdogan fez com que Donald Trump, Presidente dos EUA, numa conferência de impressa, dissesse que não apoiava aos turcos por estes não terem apoiado os EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Este reposicionamento anti-curda dos EUA demonstra que a leitura política que Trump faz da situação no terreno indu-lo a apoiar a Turquia em detrimento dos Curdos. Na realidade, a Turquia é demasiado importante geoestrategicamente para os EUA que preferem sacrificar os Curdos para salvar a parceria com o Governo turco. Leia mais...

Texto de Paulo Mateus Wache*

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