A França, de Emmanuel Macron, está a dar sinais de estar a sucumbir à anexação/adesão da Crimeia pela Rússia. Depois de, no mês passado, o Presidente Macron se ter reunido com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, na semana passada, os ministros franceses dos Negócios Estrangeiros e da Defesa rumaram a Moscovo para conversações com os seus homólogos russos. Depois da renovação dos contactos ao mais alto nível, a reunião ministerial veio cimentar as iniciativas “macronianas” de ver reduzido o nível de desconfiança entre as autoridades russas e as das potências ocidentais. Embora a procura de reaproximação com a Rússia possa ser vantajosa para Macron, ela lança sinais de que, à medida que o tempo vai passando, a questão da Crimeia vai sendo “esquecida” e a Ucrânia pode vir a dizer adeus ao sonho de recuperar o território “perdido”.

A colocação de duas palavras, anexação/ adesão, deve-se às posições díspares que são assumidas em relação à questão da Crimeia. As partes em conflito, Ucrânia e Rússia, usam estas duas terminologias para poderem legitimar, cada uma, a sua causa. A Ucrânia considera que a Rússia anexou a Crimeia. Esta nomenclatura é propositada, pois, a ser considerada válida, legitima-se a tese de que a Rússia violou o direito internacional, pois nenhum Estado deve obter território alheio por via da força. A Rússia, por seu turno, refere que a Crimeia aderiu à Federação Russa. Nessa base, não se pode dizer que a Rússia violou o direito internacional, pois, com este argumento, foram os próprios cidadãos da Crimeia que demonstraram a vontade de fazer parte da Federação Russa, esta última simplesmente aceitou pelo receio de que os direitos humanos daqueles cidadãos fossem violados.Leia mais...

Edson Muirazeque *

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