Morreu Roberto Gabriel Mugabe. Nascido a 21 de Fevereiro de 1924 veio a falecer 6 de Setembro de 2019, em Singapura, vítima duma doença prolongada. Mugabe, uma figura carismática e por isso mesmo difícil de descrever, foi um homem amado por muitos e odiado por outros. Apesar deste misto de sentimentos que a sua figura inspira poucos têm dúvidas de que ele era um nacionalista e pan-africanista da primeira linha.

Como nacionalista, Mugabe foi um revolucionário activo a partir da década de 1960, activismo que o levou a ser preso pelo regime minoritário branco de Ian Smith, em 1964. Foi liberto dez anos mais tarde, em 1974 e refugiou-se em Moçambique, mais precisamente em Quelimane, tendo sido eleito presidente da Zimbabwe African National Union (ZANU) em 1977. Nessa condição Mugabe dirigiu, a partir de Moçambique, a luta pela independência da Rodésia do Sul. Como resultado da sua luta contra o colonialismo Mugabe assinou o Acordo de Lancaster House, em 1979. Um acordo que resultou na independência do Zimbabwe a 18 de Abril de 1980. Entre 1980 e 1987 Mugabe foi primeiro-ministro do Zimbabwe e entre 1987 a 2017 foi Presidente do Zimbabwe.

Contudo, as negociações de Lancaster Hause, deram ao Zimbabwe uma independência política mantendo o poder económico nas mãos da minoria branca. A área mais visível dessa “colonização económica” era o sector agrário. A veia nacionalista de Mugabe não o permitiu ignorar aquela situação. Foi então que avançou, em 2000, para aquilo que designou de “Reforma de Terra” cujo objectivo principal era retirar as terras aos brancos e atribuí-las aos nativos negros. Apesar de a intenção ter sido genuinamente nacionalista, os resultados foram negativos. De facto, Mugabe avançou corajosamente para a distribuição da terra para os negros e consequentemente atraiu a ira do Ocidente, principalmente Reino Unido, que tratou de mobilizar sanções contra o Zimbabwe. Leia mais...

Por Paulo Mateus Wache*

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