Está a tornar-se prática corrente que os sul-africanos ataquem estrangeiros que naquele país se instalam a procura de melhores condições de vida. Compreensível a vaga de imigrantes naquele país, dado que a África do Sul se posiciona como a maior economia de África, é pouco perceptível a reacção dos nativos em relação aos povos de outros países. Aos ataques a estrangeiros convencionou-se chamar de “xenofobia”. Porém, a etimologia da palavra “xenofobia” manda dizer que o fenómeno sul-africano não se enquadra nesta categoria de fobias, pois o que se assiste naquele país parece estar muito mais próximo de crime do que uma fobia em elação aos estrangeiros. Um dos factores preocupantes em relação aos ataques a estrangeiros é que, desta vez, eles ocorreram no exacto momento que, numa das cidades daquele país, estava a ocorrer uma cimeira cujo objectivo é fomentar e promover uma maior integração entre as economias africanas.

Etimologicamente, o termo xenofobia é originário de duas palavras gregas: xenos, que significa estranho ou estrangeiro, e phobos, que significa medo ou aversão a algo. Nesta base, xenofobia pode ser conceptualizada como o medo ou a aversão em relação ao que é estranho ou estrangeiro. Tal medo pode manifestar-se sob forma de percepções e práticas altamente negativas tendentes a discriminar não cidadãos na base da sua origem ou nacionalidade estrangeira. A xenofobia pode manifestar-se igualmente sob forma de um ódio profundo contra imigrantes pelos nacionais de um determinado Estado, de tal modo que os nacionais podem recorrer a campanhas tendentes a que o governo repatrie cidadãos de outras nacionalidades que são percebidos como sendo responsáveis de diversificadas enfermidades sociais. Não havendo resposta nesse sentido, os nacionais podem recorrer, tal como ocorre na África do Sul, a meios violentos para intimidar os estrangeiros para serem estes a retirarem-se, “voluntariamente”, do país e regressar à sua origem.

A serem xenofobia, as manifestações violentas na África do Sul deviam ter como alvo todo e qualquer estrangeiro. Isso significa que os ataques deviam ter como público- -alvo cidadãos provenientes de países das Américas, da Antártida, da Ásia, da Austrália/Oceânia, da Europa, bem como de África. Mas parece que o alvo preferencial são cidadãos provenientes de países de um único continente – o africano. Até aqui, dir-se-ia que a fobia é em relação aos africanos e sem distinção de raça ou status social. Portanto, a “Afrofobia” seria a melhor designação. No entanto, há, aqui também, um porém: não são todos cidadãos africanos que são atacados naquele país; os relatos e as imagens existentes indicam que as vítimas preferenciais são os negros. Esta percepção levaria a mais um conceito, a “negrofobia”. Mas aqui também pode se questionar se são todos os negros estrangeiros ou há um tipo específico de negros, eventualmente os mais pobres. É pouco crível que negros estrangeiros bem- -sucedidos, promotores de desenvolvimento e criadores de oportunidades de emprego para os locais, sejam também alvo das perseguições. Será então a “pobrefobia” a conceptualização mais apropriada? Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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