O veterano da luta armada de libertação nacional e co-fundador da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) Marcelino dos Santos completa amanhã, 20 de Maio, 90 anos de vida, parte dos quais dedicados à libertação da terra e dos Homens. Antes da fundação da FRELIMO integrou vários movimentos nacionalistas que lutavam pela liberdade dos povos que sofriam a dominação colonial.

A propósito do seu nonagésimo aniversário natalício, domingo ouviu algumas personalidades que conviveram com ele, as quais o consideram de dimensão universal dado o seu envolvimento na libertação dos povos do mundo e no bem-estar social das camadas vulneráveis.

Os entrevistados classificam Marcelino como um dos ícones da revolução africana ao lado de outros nacionalistas, entre os quais Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Kwame Nkrumah, Camal Abdel Nasser, Nelson Mandela ou Aquino de Bragança, cuja história também se confunde com a génese da FRELIMO.

Exemplo de um herói vivo    

‒Raimundo Pachinuapa, combatente

O veterano da luta armada Raimundo Pachinuapa entende que celebrar os 90 anos da vida de Marcelino é dignificar os feitos de um homem corajoso dedicado à libertação de Moçambique, que não tinha problemas de onde viver, como viver e o que comer, portanto “estamos perante exemplo de um herói vivo”.

Destacou que em 1969 na FRELIMO houve muitas contradições devido ao assassinato de Eduardo Mondlane, e Marcelino chegou a ser um dos alvos a abater pela polícia portuguesa (PIDE - DGS).

Segundo afirmou, faz sentido quando Marcelino considera-se a própria Frelimo e não membro,“pois encarnou-a e ofereceu a sua vida pela independência do país”.

Contou ainda que um dos episódios marcantes no convívio que teve com ele foi quando votou favoravelmente pela realização do II Congresso da FRELIMO em Moçambique quando no seio do Comité Central (CC) havia discórdia, alegadamente por questões de segurança.

Pachinuapa disse ainda que como chefe do Departamento das Relações Internacionais, Marcelino desempenhou um papel preponderante ao desencadear acções para que a Frente tivesse espaço e fosse conhecida pelo mundo durante a luta armada.

Não olhar para os factos

mas para os seus sonhos

       ‒João Ferreira, combatente

    João Ferreira afirmou que mais do que procurar factos ou feitos de Marcelino, há que compreender a grandeza dos seus sonhos que passavam por um Moçambique independente, próspero e desenvolvido, “mas que tal não aconteceu devido a vários factores, entre eles, a guerra dos 16 anos”.

“Devíamos nos concentrar nos seus sonhos e não nos factos, pois esses são tão voláteis”, referiu João Ferreira, acrescentando que perseguir as realizações dele é um erro crasso.

Texto de Domingos Nhaúle
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