MEMÓRIA: “Nitekani, namina niwaka Muhlanga”*

Nos finais da década de ‘80, abriu- -se espaço para Hilário Rosário da Conceição voltar ao país que o viu nascer, depois de em 1958 ter saído do então Sporting Clube de Lourenço Marques (Maxaquene) para o homónimo de Portugal, onde fez uma grande carreira, vindo a representar a selecção portuguesa, no seu momento mais alto, no Mundial de 1966, juntamente com Mário Coluna, Eusébio da Silva Ferreira, Costa Pereira e Vicente Lucas da Fonseca.

Hilário seguiu para o Sporting aos 19 anos de idade, mas nunca “saiu da sua Mafalala”, bairro onde nasceu, cresceu e se fez jogador. O vernáculo ronga, que até usava para ludibriar os adversários na combinação de jogadas, com os seus conterrâneos na selecção do “país das quinas”, sempre o acompanhou. Provavelmente, o lado do obscurantismo que é característico em África deixara para trás. O certo é que quando chegou ao Ferroviário de Maputo ir ao “mandrake” (curandeiro) era uma prática que dominava o grupo, como em outros tantos clubes africanos, no geral. Ainda assim, Hilário quis contrariar a lógica, passando a mensagem de que apenas os conhecimentos científicos é que deviam servir de base para sustentar as conquistas.

Em 1989, do plantel do Ferroviário, que conquistou o campeonato de 1982, sobravam poucos jogadores. Ainda figuram Elias Mabjaia, Archer Ramalho, Jerry e Francisco Ramos e nada mais. Tiveram o reforço do guarda-redes Estêvão (já falecido), que tinha feito uma boa parte da sua carreira no Desportivo, como também contavam com Lázaro (suplente do Estêvão), Zabo, Fumo I, Armandinho, Danito Cuta, Nelinho Gulube, Oriente, Reinaldo, Eurico, Pelé, Boi, entre outros. Leia mais...

TEXTO DE JOCA ESTÊVÃO

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