EM SOFALA: Falsificação de idades preocupa clubes de formação

A falsificação de documentos de identidade dos jogadores das camadas inferiores está a preocupar os clubes baseados nas cidades da Beira e Dondo, província de Sofala.

O crime tem sido engendrado com o consentimento de alguns pais e/ou encarregados de educação, que acompanham os pequenos atletas a adquirir documentos de identidade, sendo um verdadeiro e outro com dados falseados ou idade reduzida como forma de incorporar no plantel de um determinado clube na categoria de juvenis ou juniores.

José Fernando, presidente do FC Beira, colectividade que tem sido uma das grandes referências a nível da província de Sofala na formação de jogadores, disse que tem enfrentado essa situação nos últimos anos. Conta que por várias vezes convidou os encarregados para clarificar este crime.

Aliás, das várias vezes que se deparou com essa situação as justificações apresentadas giravam em torno da necessidade de participação nos festivais nacionais dos Jogos Desportivos Escolares.

“É uma situação muito delicada, sobretudo para clubes como o nosso, que apostam na formação. Não temos confiança nos dados apresentados pelos nossos jogadores jovens. Apresentam documentos falsificados e isso mina o futuro dos nossos jogadores, porque as idades não são as verdadeiras”, disse.

Fernando alerta aos dirigentes dos clubes para abandonarem a prática de exigir resultados nas camadas de formação, justificando que neste escalão os objectivos passam por formar jogadores do futuro.

“A formação envolve muitos processos e etapas. Felizmente temos conseguido fazer aquilo que pretendemos, que é formar jogadores e depois colocar nos clubes de topo nacional. Mas temos que começar a mudar a nossa mentalidade. Não se pode exigir resultados na formação. Essas exigências levam a que muitos treinadores recorreram à prática da falsificação de documentos”, apontou.

O nosso entrevistado lembra a necessidade de a Federação Moçambicana de Futebol começar a desenhar estratégias para alavancar o futebol, e as mesmas devem ser seguidas em todos clubes. Aliás, referiu-se à ausência de infra-estruturas qualificadas e pessoal capacitado como elementos fundamentais para a boa realização de formação.

“No meu clube um dos grandes obstáculos que enfrentamos é a falta de espaço para construirmos o nosso campo de futebol. Já solicitámos ao Conselho Municipal da Beira, em 2014, mas até hoje ainda não tivemos resposta. Mas não vamos desanimar. Por ora temos desenvolvido nossas actividades num campo emprestado e temos nossa academia a funcionar, apesar de ter ficado sem tecto durante o ciclone Idai”.

FORMAÇÃO GARANTE FUTURO DOS “MAMBAS”

O desaire da Selecção Nacional na campanha de qualificação para o CAN Camarões-2021 também mereceu uma observação da parte do presidente do FC Beira.

Para ele, o futuro da Selecção Nacional passa pela formação de futuros craques.

O nosso maior problema é exigir resultados imediatos sem que trabalhemos para tal. Ora vejamos. Não temos competições nos juvenis e juniores há dois anos. Qual será o futuro desses jogadores? Por mim eles já devem competir nos seniores porque a idade por si já o diz. Mas eles, mesmo que transitem, será que têm a qualidade desejada? Eu respondo que não, porque não seguiram a sequência”, afirmou. (Fim)

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