O Dono da Bola

Há dias passei pelo bairro popular da Munhuana, ex-bairro Indígena, na cidade de Maputo, onde vivi parte da minha infância. Foi um misto de emoções, apenas comparável com a que senti no século passado (XX) quando assisti, no Teatro Avenida, a peça 9 HORA, do Grupo Teatral Mutumbela Gogo, em que Victor Raposo, um monstro das artes cénicas deste país, teve uma prestação por cima de toda a página. Um abraço, Victor, aí na baía de Pemba.

Ainda que o tempo me apertasse os calos, percorri as ruas Limpopo, Tembe, Komati, Bela Rosa e Marracuene (não sei se esta toponímia ainda está em voga). Visitei a antiga 7.ª Esquadra, a ex-Escola São Gabriel e Paróquia São Joaquim. Foi como se tivesse voltado no tempo. Mas o bairro está mudado. Por exemplo, o muro do quintal das residências outrora contínuo, o que nos permitia trepar e correr na época chuvosa, e, desse modo, evitar mergulhar os pés nos mil e um charcos que se formavam, com os cadernos escondidos debaixo dos sovacos, não fosse a professora Fárida Gulamo puxar-nos as orelhas, ganharam altura sinal inequívoco da globalização.

Porque caminhar é minha praia, fui passando sucessivamente em frente das casas dos pais do baixista Childo (ex-Alambique); de Noel Langa, do futebolista Milagre, jogou no Estrela Vermelha; do guarda-redes Castigo, militou no 1.º de Maio e Académica, ambos emblemas de Maputo, e do Roba-Roba (Castigo), um dos melhores ginastas que Munhuana germinou. Mas, de repente, e sem poder controlar o meu cérebro parei defronte da casa do Empata, nickname de Belizardo Cardoso Trinchado. Leia mais...

Por André Matola

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