Washington arma Seoul para “combater” seus rivais

O Presidente dos EUA, Joe Biden, procura exercer domínio sobre a Ásia sem aumentar a quantidade de armas estacionadas na região. Quatro décadas depois de impedir a Coreia do Sul de possuir mísseis capazes de atingir seus rivais, Washington decidiu levantar as restrições e agora os mísseis de Seoul já podem atingir Pequim ou Moscovo. Adoptando uma estratégia de “não provocar os seus rivais” aumentando a sua presença militar na região, Biden opta por fortalecer o seu aliado Coreia do Sul para contrabalançar o (re)ascendente poder da China e da Rússia.

Desde o final da segunda guerra mundial, os aliados asiáticos dos EUA, com particular destaque para o Japão, Coreia do Sul e Taiwan, têm sido dependentes de Washington para a sua segurança. Os EUA têm mantido exercícios militares regulares com os três como forma de mostrar aos “inimigos” daqueles de que os EUA estão em prontidão combativa para qualquer eventualidade. Por razões relativas ao passado de tais aliados ou por receio da reacção dos seus adversários, Washington tem evitado dar maior liberdade de acção aos três aliados no que diz respeito à autonomia no sector de defesa e segurança. Os três têm alguma liberdade em manter alguma capacidade de defesa e segurança em relação a ameaças externas, mas tal liberdade é geralmente controlada a partir de Washington.

No caso particular da Coreia do Sul, há mais de quatro décadas que os EUA bloqueiam as intenções daquele país obter capacidade militar de efectuar ataques, com mísseis balísticos, que atinjam Pequim ou Moscovo. Em face da ascendência nuclear de Pyongyang, Seoul há muito que almejava que os EUA desatassem as amarras sobre a sua capacidade ofensiva, ainda que não na dimensão nuclear, pois via nisso a solução para travar as investidas da Coreia do Norte. Depois de quatro décadas de hesitações, Washington, sob liderança de Biden, acabou anuindo, recentemente, à vontade de Seoul obter capacidade de dissuasão contra o vizinho irmão. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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