
Contudo, Bula-bula anda atento a esses contextos socioculturais que colocam a descoberto o pensamento local. Com efeito, deles se vale para apontar fragilidades, que envolvem o mestre, seja de que área for. Lembra, que nada impede que o sapato do sapateiro sorria a cada pisada firme que dá no terreno, ainda que das suas mãos possa sair a solução para tão pequeno problema. E tem mais: o carro do mecânico – Bula-bula tem visto – é dos que mais ronrona estrondosa e desagradavelmente na via pública, ainda que pelo toque do seu mestre possa vir a solução para tamanho absurdo.
Seja como for, e em qualquer situação, envolvendo o mestre ou não, há que dar uma chance ao ser humano para se retratar ou corrigir o que não vai bem. Aliás, Paulo Freire já diz “Eu gosto de ser humano, porque, inacabado, eu sei que sou um estafador, mas, ciente do incompleto, eu sei que posso ir mais longe”. Eis a ideia que inspirou Bula-bula a intervir desta feita. O tema em abordagem é o progresso, a modernidade, a responsabilidade e a lealdade. Estão, portanto, em causa as obras que brotam da mente e ganham forma através das mãos. As mãos do mestre de obras. E é importante deixar claro que as boas obras são sempre bem-vindas, mas quem não consegue fazer bem, pelo menos não faça mal. Isto vem a propósito da obra inacabada no Hospital Distrital de Quissico, concretamente na maternidade modelo.
O ministro do pelouro também viu e não gostou. De pronto, manifestou preocupação e exigiu solução urgente do problema. Bula-bula ficou pasmado com o total contra-senso, afinal se trata de um feito que se encaixa na antítese moderno vs. arcaico. Já não sabe se chama de hospital moderno ou arcaico. É que a famosa estrutura somente lembra uma cozinha quando se avista a lenha criteriosamente entulhada, à espera dos assopros na hora de botar os caldeirões para preparar as refeições, entre outras necessidades. É mesmo de uma vergonha sem margens para contestações.
Entretanto, Bula-bula saúda a pronta reacção do ministro Armindo Tiago, ao exigir que se corrija tamanha contrariedade. Vale lembrar que o que ocasionou tal situação ainda não chegou aos ouvidos do Bula-bula; permanece escondido nas nuvens. Mas o que espera é que o aquecimento do solo, ocasionado pela reacção ao nível superior do sector, faça cair uma chuva braba de valores monetários, de forma a rectificar a falha. Bula-bula está à espera. Ansiosamente.


























































