Teatro... espaço vazio!

Reina um silêncio medonho nos teatros nacionais. As salas estão vazias, empoeiradas. Os cenários, mudos e descoloridos, lembram que naqueles espaços milhares de personagens ganharam vida, alegraram e também fizeram derramar lágrimas. Quando Peter Brook falou do espaço vazio não se referia aos teatros como os vemos hoje; referia-se a algum mais profundo encimado pelo triângulo actor-espectador-espaço vazio... infelizmente, hoje, os teatros viraram mesmo espaços vazios.

É que o teatro, pelas suas características intrínsecas, precisa de público; o mesmo que dizer que sem público não pode haver teatro. A condição, definida há milhares de anos, sofreu um duro golpe com as mudanças causadas pela pandemia da covid-19. O encerramento das salas de espectáculos, a proibição de ajuntamentos e o distanciamento social ditaram uma nova realidade, um novo normal. O baque foi generalizado pelo mundo das artes, mas no teatro provocou muitas fendas. Sem poderem fazer o que mais gostam – actuar – os actores, mas também produtores, directores, aderecistas, figurinistas e coreógrafos viram-se de repente reduzidos a meros espectadores de um fenómeno que nunca estivera nas suas cogitações.

Entretanto, porque o homem tem esta fantástica capacidade de adaptação, rapidamente actores e encenadores enveredaram pelo mundo virtual, fazendo apresentações divulgadas por intermédio das redes sociais, nomeadamente o Facebook, Zoom e Instagram. Na realidade trata-se de uma tentativa de “fintar” o isolamento artístico... e quebrar todas as paredes que se ergueram a volta de cada um de nós. Leia mais...

Texto de Belmiro Adamugy

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