Somos nada...

A tolerância chegará a tal ponto que as pessoas inteligentes serão proibidas de fazer qualquer reflexão para não ofender os imbecis – Dostoievski

É líquido que as maiores transformações registadas no mundo, ao longo dos tempos, foram induzidas pelos artistas. Eternos inconformados, os artistas, socorrendo-se da poesia, do teatro, da música, pintura, escultura, levam a humanidade a olhar para dentro de si e, nessa incessante busca da luz, encontrar os melhores caminhos para a harmonia social... a democracia, como a percebemos hoje, é resultante da acção dos artistas e menos dos políticos. Revisite-se a Grécia antiga!

Se calhar é por isso mesmo que a história regista igualmente atitudes que procuraram limitar ou mesmo anular o papel das artes impondo redomas, vigiando e até intimidando os artistas. Vale a pena lembrar as “Instruções Gerais” emanadas numa joia da jurisprudência colonial (decreto 27.495 de 27.1.1937) que visava “matar com amor” impondo limites à produção literária, às actividades dos estudantes, entre outras preciosidades. No artigo 18.27 do mesmo documento lê-se: “Na literatura e nos espectáculos devem também, por sua vez, ser ‘eliminadas’ quaisquer referências, não só à censura, como todas aquelas que forem contrárias à nossa ética política, social e moral, pois é frequente aproveitarem-se tais críticas para abertos e velados ataques ao regime vigente e sua doutrina”.

O que preocupa é que passados mais de 80 anos depois dessa triste realidade, numa altura em que o homem sonha em viver em Marte e já há passeios espaciais, vozes ciciantes anunciem um regresso ao paleolítico mental. Assusta isso. É qualquer coisa apocalíptica. Não se sabe bem de onde resultou aquela aleivosia. Nem interessa. Alguma nostalgia, quem sabe... mas mesmo assim não deixa de ser aterrorizante, saber que há gente preocupada com os figurinos que se usam nos espectáculos. Leia mais... 

Por Belmiro Adamugy

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