EUA em ofensiva diplomática contra a China na Ásia-Pacífico

A Ásia-Pacífico é, sem dúvida, a região geostratégica que tem ocupado boa parte da agenda de política externa e de segurança dos Estados Unidos da América (EUA) nos últimos anos. De facto, no que pode ser considerado um pontapé de saída de uma ofensiva diplomática da administração Biden, em duas semanas, os EUA engajaram-se em pelo menos três eventos de alto nível com os países da região. No dia 12 de Março corrente, o Presidente Biden manteve o primeiro encontro virtual com o Quadrilateral Security Dialogue (Quad), um grupo informal composto pelos EUA, Japão, Austrália e Índia. Seguiu-se à reunião do Quad a primeira deslocação para o estrangeiro dos secretários de Estado e de Defesa norte-americanos, tendo tido como destinos Japão, Coreia do Sul e Índia. Por fim, em Alasca, ocorreu um encontro de alto nível entre delegações americanas e chinesas chefiadas, respectivamente, pelo secretário de Estado e pelo ministro das Relações Exteriores. Neste artigo analiso como esta ofensiva diplomática revela, por um lado, a continuidade de objectivos e, por outro, a mudança de estratégia dos EUA em relação à China na administração Biden.

Evidentemente, China está em ascensão e cada vez mais assertiva. Com efeito, dependendo dos indicadores usados, a China é a primeira ou segunda maior economia do mundo. Tecnologicamente, os avanços da China em vários aspectos (como a Internet 5G) já desafiam a primazia dos EUA. Em termos demográficos, a China tem quatro vezes mais a população americana. Militarmente, parece uma questão de tempo para a China reverter o seu poder económico, demográfico e tecnológico em poder bélico suficiente para ombrear com ou mesmo ultrapassar os EUA. Na sua assertividade, a China vem reclamando o seu espaço num sistema internacional que há décadas vem sendo dominado pelos EUA. A médio prazo, a China pretende impor-se como hegemonia regional na Ásia. Para a liderança chinesa, isto passa necessariamente por redefinir o seu espaço soberano em três frentes: o mar da China, Taiwan e Hong-Kong. Leia mais...

Por Manuel Sambo*

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