Balance of power no “combate” à China

Há pouco menos de uma semana para abandonar a Casa Branca (Joe Biden toma o controlo da Casa no dia 20 de Janeiro), Donald Trump manda publicar a sua estratégia para conter a ascensão da China na Ásia. Um documento recentemente tornado público indica que os EUA implementaram uma estratégia de balance of power para “combater” o inimigo China. Com efeito, a estratégia de conter a China advoga a necessidade de acelerar a ascensão da Índia para conter a influência chinesa e desenhar e implementar uma estratégia de defesa capaz de rejeitar o domínio aéreo e marítimo da China sobre Taiwan num eventual conflito.

A ideia de balance of power, que nalguma literatura tem sido traduzida para “equilíbrio de poder”, foi retirada do pensamento de Tucídides, retratado na obra “História da Guerra do Peloponeso”. Nessa obra, Tucídides procura desvendar as razões que terão levado à eclosão da guerra entre Esparta e Atenas. Na visão do autor, foi o medo e a inveja, que Esparta tinha do aumento do poder de Atenas. O desenvolvimento que se verificava em Atenas tendia a mudar a balança de poder a favor desta cidade-Estado da Grécia Antiga, facto que criava medo de perda de proeminência de Esparta no mundo Helénico.

Para fazer face à ascensão de Atenas, Esparta tomou contra-medidas de fortalecimento da sua capacidade militar e aliou-se a outras pequenas cidades- -Estado para contrabalançar o poder de Atenas. Em resposta, Atenas enveredou pelo mesmo caminho de Esparta, procurando aumentar a sua capacidade militar e estabelecer alianças com outras cidades-Estado. Ou seja, criou-se um dilema de segurança, em que as tentativas de uma cidade-Estado aumentar a sua capacidade militar para a sua própria defesa criou medo noutra cidade-Estado que, também, enveredou pelo mesmo caminho. O dilema de segurança levou, por seu turno, à corrida ao armamento. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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