INSÓLITO NA MINERAÇÃO NO NIASSA: Garimpeiros roubam e vendem o produto à própria vítima

A Inspecção-geral de Recursos Minerais e Energia tem em mão uma espinhosa empreitada para devolver a ordem na exploração mineira na província do Niassa. Em apenas uma semana de trabalho deparou-se com vários casos, cada um mais esquisito que o outro, como o da empresa Vision 2000, que foi invadida por garimpeiros que saqueiam os seus recursos e vendem- -nos a ela própria.

O mais absurdo é que quando o gestor da Vision, Pedro Manjate, tenta se opor àquela exploração ilegal é ameaçado de morte. Se chama a Polícia a peleja evolui para troca de catanadas, tiros e gás lacrimogénio. A situação é tão desesperante que mesmo durante a visita da equipa de inspecção-geral os garimpeiros só se afastaram por alguns metros e quando a equipa foi-se embora, tudo voltou a ser como era dantes.

Até ao momento, situações em que um ladrão rouba e depois vende os bens à própria vítima eram relatadas a partir do mercado Estrela, na cidade de Maputo, onde se enraizou o tráfico de telemóveis, computadores, espelhos retrovisores, grelhas, faróis, aparelhos reprodutores, alternadores, entre outras peças de carros e aparelhos electrónicos surripiados um pouco por toda a província e cidade de Maputo.

Sem alternativas, muitos dirigiam-se àquele mercado, encontravam os seus bens à venda e compravam-nos sem se atreverem a esboçar o mais ínfimo sinal de protesto ou repreensão por temerem represálias que poderiam ser muito mais violentas do que o roubo sofrido na véspera.

É exactamente isto que se passa da cidade de Cuamba, na parte Sul da província do Niassa. A empresa Vision 2000 tem uma licença para explorar 3000 hectares de terra rica em granada, pedra mineral, cor de vinho, que é comumente usada para a produção de peças de adorno.

Nos seus tempos áureos, esta empresa produziu algo em torno de três a quatro toneladas de granada por ano, num filão de reconhecida abundância que só carece de um pequeno esforço em maquinaria para transformá-lo em milhões de dólares.

Só que, a partir de 2013, a Vision começou a derrapar em dificuldades de gestão que a impediram de prosseguir com o trabalho e teve de fechar as portas e aguardar por melhores dias. Pouco antes de paralisar as actividades, solicitou a redução da sua área de operações de 3000 para 600 hectares. Mas nem com isso conseguiu dar a volta à situação.

Enquanto a Vision esteve parada a fazer as contas à vida, emergiu um movimento de progressivo assalto ao recinto da empresa por parte de membros da comunidade que se mostram determinados a ficar por ali, ainda que isso culmine com o derramamento de sangue. Leia mais...

Texto de Jorge Rungo

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