OURO DE LUPELICHE, NO NIASSA: Riqueza oferecida de bandeja a tanzanianos

O país precisa de fazer muito mais para aproveitar os seus recursos naturais e fazer com que estes beneficiem a todos os moçambicanos. O que se vê na aldeia de Mpapa, localidade de Lupeliche, no Norte da província do Niassa, junto à fronteira com a Tanzânia, mostra o descaso que ainda prevalece no controlo do território e dos seus recursos. A zona é rica em ouro, mas quem com ele lucra são cidadãos tanzanianos.

Pela estrutura da aldeia de Mpapa, criada em 1992 por mineradores artesanais tanzanianos, percebe-se que se está perante um local onde a economia gira em torno daqueles estrangeiros, ainda que os moçambicanos que por ali vivem reclamem a titularidade da terra e das minas.

Aliás, e como acontece em quase toda a linha de fronteira do nosso país, a moeda com expressão é a do país vizinho, o xelim tanzaniano. A língua predominante também é a de lá. Swahili. As comidas e bebidas, “idem”. Os barbeiros e cabeleireiras, “ibidem”.

A arquitectura das casas, as antenas parabólicas, tudo o que se come, roupa e até o pensamento estão voltados para a Tanzânia porque a maior parte dos patrões que compram o ouro são de lá. O Governo moçambicano, através da Empresa Moçambicana de Exploração Mineira (EMEM), subcontratou a empresa “Bright Gold” para comprar o ouro que ali se produz.

Todavia, os ardilosos compradores tanzanianos fintam esta empresa. Primeiro, porque estão implantados ali no local da exploração e processamento. Segundo, porque aplicam preços mais altos do que os da “Bright Gold”. Em terceiro lugar, porque as partes já desenvolvem relações de negócio há décadas pelo que há compadrios indissolúveis.

Pelo que apurámos, os preços oferecidos pelos compradores do país vizinho parecem altos aos olhos dos mineradores nacionais que não têm acesso às grandes praças internacionais de venda deste importante produto mineral. Leia mais...

 Texto de Jorge Rungo, em Lichinga

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