Contornos assustadores do contrabando do frango

Só neste mês de Julho foram apreendidas acima de 40 toneladas de frango e derivados que tinham sido importadas sem as necessárias licenças e, em alguns casos, ficou provado que eram impróprios para o consumo humano. Para fugir ao controlo cada vez mais apertado das autoridades, uns desembarcam a mercadoria no Porto da Beira e transportam-na por terra até Maputo, outros viciam as embalagens para dar o ar de frescura e originalidade a produtos “cansados”.

Tal como está a acontecer com o sector de Recursos Minerais e Energia, o Governo decidiu pôr o “guizo ao gato” na importação de frango e derivados, e o que se está a assistir desde então dá para roteiro de filme sobre gangsterismo, de tão melindroso.

Mas, antes recuemos para o dia 16 de Dezembro de 2016, data em que o Chefe de Estado, Filipe Nyusi, dirigiu um importante encontro com a nata de avicultores nacionais e intervenientes em toda a cadeia de produção avícola, com os quais se chegou ao entendimento de que o país devia se esforçar para alcançar a auto-suficiência neste sector em dois anos, ou seja, até finais de 2018.

A reunião foi realizada na cidade de Nampula e o Governo ali se dispôs a oferecer um conjunto de estímulos aos produtores de insumos, com realce para a soja e milho, equipamentos afins, entre outros, que facilitariam o processo e, ao final do dia, tornariam o preço dos produtos avícolas mais baratos que o dos mesmos produtos importados.

Já estamos a caminhar para o fim de 2020, ou seja, passam dois anos após a meta proposta para a auto-suficiência e o que se assiste é uma recuperação galopante de terreno por parte de pessoas singulares e colectivas que importam quantidades cada vez maiores e capazes de inundar o mercado e asfixiar os produtores internos. Leia mais...

Texto de Jorge Rungo

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Última modificação: Sábado, 18 Jullho 2020 21:54