Filha de José Francisco dos Remédios e Judite João Baptista Machalele, Ana dos Remédios Magaia é uma figura singular nas nossas artes cénicas. Mulher de “sete costados”, navega entre o teatro, cinema, literatura, teatro radiofónico, dublagens e outras coisas com uma leveza impressionante. Quase se pode dizer que o tempo não tem nenhum efeito sobre ela.

Bem disposta – mas com a língua sempre engatilhada –, Ana Magaia tem um currículo profissional impressionante. Participou em vários filmes e outras tantas peças teatrais. A sua primeiríssima participação artística foi no filme de Mário Borgneth, intitulado “Maputo- -Mulher”, em que contracenava com a prima, a falecida Lina Magaia. Depois nunca mais parou...

Fez, entre outros tantos, “O Tempo dos Leopardos”, de Zdravko Velimorovic (primeira longa-metragem rodada em Moçambique); “Karingana wa Karingana”, documentário de Mário Borgneth; “Aqui d’el Rei”, de António Pedro Vasconcelos; “O Gotejar da Luz”, de Fernando Vendrell (Portugal-Moçambique); “Le Pacte du Silence”, de Graham Guit (França); “Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra”, de José Carlos de Oliveira (Portugal, adaptação do romance do escritor moçambicano Mia Couto); “Terra Sonâmbula”, de Teresa Prata (Brasil-Moçambique, adaptação do romance do escritor moçambicano Mia Couto).

Na televisão fez “A Child from the South”, de Sérgio Rezende (TV, Brasil-Moçambique); “Não é preciso Empurrar”, de Mia Couto (1.ª telenovela moçambicana); “Recursos e Vida”, série sobre o Meio Ambiente da TVM e UICN (União Mundial para a Natureza); “Língua Viva”, de Gonçalo Mourão; “Sabadão”, série de Mia Couto para a TVM (Televisão de Moçambique); “A Voz dos Dugongos”, de Jaime Campos; “A Jóia de África” (TV) e “Crimes en série” (TV, França, comédia).

No teatro, desenvolvido essencialmente na Associação Cultural Tchova Xita Duma, Ana Magaia fez, entre várias peças, “Xiluva”, criação colectiva; “Rosita até Morrer”, monólogo de Luís Bernardo Honwana – que lhe valeu uma bolsa de estudos em Portugal; “A Revolta da Casa dos Ídolos”, de Pepetela; “A Boa Pessoa de Sezuany”, de Bertolt Brecht; “A Companheira”, monólogo de Adolfo Gutkin; “Sarau Quinhentista”, de Mário Barradas, e “A Sapateira Prodigiosa”, de Garcia Lorca.

Para além de ser actriz, Ana Magaia tem outras responsabilidades no cinema. Foi directora de casting nos filmes “Africa dreaming” e “Terra sonâmbula”. Em “A voz dos dugongos”, “O Gotejar da Luz” e “Blood Diamond” ocupou o cargo de assistente de realização. Como produtora, deu luz a vários trabalhos dentre os quais “Recursos e vida”, série sobre o Meio Ambiente, e “Língua viva”, de Gonçalo Mourão. Leia mais...