Em Foco

Solidificar os pilares que sustentam a cooperação

O Presidente da República, Armando Emílio Guebuza, reiterou a prontidão do nosso país para continuar com o aprofundamento, expansão e diversificação dos pilares que sustentam os laços de amizade e cooperação entre Moçambique e Portugal. Com efeito, os dois Estados rubricaram, semana finda, em Maputo, acordos em vários domínios, com ênfase para os sectores de Educação, Energia, Agricultura, Pescas, Defesa, Finanças Públicas, entre outros. A próxima cimeira realizar-se-á próximo ano, em Lisboa, Portugal.

Guebuza, que falava num “tête-a-tête” com o Primeiro-Ministro português, Pedro Passos Coelho, no âmbito da 2ª Cimeira Bilateral Moçambique-Portugal, disse que o relacionamento entre os dois Estados “veio para ficar” e sublinhou que reflecte “a crescente qualidade na caminhada de partilha de experiências em diversas áreas de desenvolvimento sustentável”.

Para o Chefe do Estado, a visita do primeiro-ministro português vem multiplicar as oportunidades de parcerias entre as empresas nacionais e estrangeiras, nos mecanismos de exploração de recursos naturais e de outros sectores para a industrialização e desenvolvimento, bem como para o progresso do sector empresarial e humano.

 “Para a participação, em qualquer destes sectores, valorizamos e encorajamos a presença do empresariado português, numa relação mútua, e tratamento igual com outros parceiros moçambicanos”,disse Armando Guebuza, para quem a parceria estratégica é fundamental no estreitamento das relações entre os dois países.

Afirmou ainda que o Governo se mantém empenhado em assegurar a prevalência do clima de paz e de estabilidade macroeconómica, bem como da boa governação e da crescente promoção de um ambiente favorável à atracção do investimento nacional e estrangeiro.

 “Estas são as condições fundamentais para que persistamos na rota responsável pelos níveis de crescimento e de robustez económica que estamos a registar”,concluiu o Chefe do Estado.

Por sua vez, Pedro Passos Coelho afirmou que desde que assumiu o cargo, há três anos, esta é a terceira vez que vem a Moçambique, o que demonstra um bom relacionamento entre os Estados moçambicano e português.

Segundo afirmou, são muitos os acordos já rubricados, o que realça o bom nível de relacionamento entre os dois países, desde o Energético, Pescas, Transportes, Defesa, entre outros.

Na ocasião, o governante português felicitou o estadista moçambicano pela sua sábia condução do destino do país, no meio de muitas adversidades sociais e económicas, entre elas, as calamidades naturais.

“Gostaria de saudar o Presidente Armando Guebuza pela forma sólida que tem sabido conduzir o país no meio de muitas adversidades sociais e económicas e temos crença na sua excelente liderança rumo ao desenvolvimento, neste momento de insegurança global”, disse Passos Coelho, para quem a incerteza mundial não pode prejudicar as relações entre os dois países.

O governante português disse ainda que o seu país tem feito grande esforço no sentido de manter o nível excelente de cooperação existente entre ambos, apesar de muitas dificuldades que caracterizam a economia mundial.

“Devemos agradecer o governo de Moçambique, pela forma como tem conseguido acompanhar este processo. É verdade que, dentro destas dificuldades, temos feito tudo para não prejudicar o médio e o longo prazo da nossa relação”,disse Passos Coelho para quem a cimeira de Maputo marcou uma nova etapa na relação entre os dois países.

SEMINÁRIO EMPRESARIAL

REFORÇA AS RELAÇÕES BILATERAIS

Para além das conversações ao mais alto nível, o Presidente da República e o Primeiro-ministro português participaram num seminário empresarial que decorreu sob o lema “Portugal e Moçambique: Impulsionando o Desenvolvimento Sustentável.”

 

A propósito do encontro, Armando Guebuza disse que Moçambique continua apostado no desenvolvimento de uma classe empresarial cada vez mais forte e com crescente capacidade de estabelecer parcerias com homens de negócios de outros quadrantes do mundo.

Discursando na abertura do evento, que reuniu um vasto leque de grupo de empresários dos dois países, Armando Guebuza explicou que os governos de Moçambique e Portugal fazem uma avaliação positiva da sua cooperação bilateral.

“Reafirmamos ainda que o sector empresarial desempenha um papel fundamental nessa matriz de consolidação das nossas já excelentes relações de amizade e cooperação. Sublinhamos ainda que é fundamental que os empresários portugueses vejam e tratem os seus pares moçambicanos também como empresários, dispensando-se no processo uns aos outros respeito mútuo para ganhos também mútuos”,disse Guebuza.

Segundo o Presidente Armando Guebuza, dados recentes  mostram que nos últimos seis anos, empresários portugueses investiram mais de um bilião de dólares na economia moçambicana, colocando Portugal  na lista das principais fontes de investimento directo estrangeiro em Moçambique.

Por sua vez, Passos Coelho afirmou que a 2ª Cimeira Bilateral consubstancia a vontade dos governos do seu país e de Moçambique em prosseguir com o diálogo institucional que se reflecte no elevado número de acordos assinados, cobrindo vários domínios de cooperação.

“São muitas as oportunidades nas relações entre os dois países e temos vindo a trabalhar em conjunto esse potencial de uma forma dinâmica, coordenada e de olhos postos no futuro”,afirmou Passos Coelho.

O governante português referiu-se ainda ao facto de Moçambique ser uma das economias de destaque no continente africano, mantendo taxas de crescimento importantes que, em 2013, chegaram aos 7,1 por cento.

Acrescentou que se prevê que tal dinâmica continue ao longo dos próximos anos, uma vez que o clima económico é particularmente propício para esse efeito e a inflação revelou-se bastante estável em 2013 na ordem dos 3,5 por cento.

“A descoberta de importantes reservas de hidrocarbonetos, bem como a promoção  de medidas conducentes a uma melhoria do clima de negócios têm permitido atrair investidores e empresários e criar novas expectativas para o desenvolvimento da economia moçambicana”,disse Passos Coelho.

No âmbito do crescimento económico, foi sublinhado o crescimento de 6 por cento das exportações moçambicanas para Portugal e de 43 das exportações portuguesas para Moçambique desde a última cimeira, demonstrando uma cada vez maior relevância dos respectivos mercados.

Foi ainda notado que as empresas portuguesas continuam a destacar Moçambique como um destino privilegiado de investimento, sendo Portugal o investidor estrangeiro com maior impacto na criação de emprego.

ASSINADOSACORDOS DE COOPERAÇÃO

Durante as conversações havidas na Presidência da República, foram rubricados vários instrumentos jurídicos no âmbito da cooperação bilateral, nas áreas de Pescas, Transportes, Defesa, Finanças Públicas, Energia, entre outras adendas e memorandos em vários domínios.

 Falando a propósito dos acordos rubricados, Berta Cossa, directora para Europa e Américas no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, explicou, por exemplo, que nas Finanças Públicas, Moçambique poderá fazer uso do montante remanescente de um total de 300 milhões de euros dados por Portugal em 2009.

“Os valores referem-se a créditos concessionais e comerciais para o nosso país, tínhamos um remanescente, vamos poder utilizar os valores, 71 milhões de euros, crédito concessional e 61 milhões do crédito comercial”,explicou Berta Cossa.

REAVIVAR AS ESPERANÇAS

DA “CASA DO GAIATO”

A visita do governante português incluiu uma visita à “Casa do Gaiato”, uma instituição vocacionada para o apoio às crianças desfavorecidas. Neste momento, a mesma alberga um total de 150 educandos, dos três aos 18 anos de idade.

Num informe sobre as actividades desta instituição, a responsável pelo sector da educação, a Irmã Quitéria, afirmou que nos últimos tempos aquele estabelecimento se debate com dificuldades para a sua auto-rentabilização. Segundo explicou, a maior preocupação prende-se com um futuro sombrio no que concerne ao aprovisionamento do equipamento para a carpintaria, serralharia, entre outros sectores.

“Se as nossas oficinas estivessem bem equipadas, poderiam muito bem tornar a nossa instituição auto-suficiente, pois iríamos produzir mais equipamento e técnicos que seriam bem encaminhados”,disse a Irmã Quitéria.

Por seu turno, Passos Coelho louvou o trabalho que tem sido desenvolvido por aquela instituição, tendo assegurado que o governo português irá prosseguir com os esforços no sentido de tornar sustentável a “Casa do Gaiato”.

Refira-se que a “Casa do Gaiato” recebeu um total de 50 mil euros, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma instituição portuguesa vocacionada para apoiar crianças desfavorecidas.

Um historial apresentado na ocasião, refere que aquela organização de caridade existe no país desde 1967 e que outrora funcionara nas actuais instalações da Academia de Ciências Policiais, em Michafutene.

A mesma esteve encerrada por algum tempo, tendo sido reaberta no ano de 1997, desta feita no distrito de Boane, província de Maputo, concretamente, nas imediações dos “Pequenos Libombos”.

A partir dessa altura, passaram por ali mais de 600 jovens formados em vários cursos profissionalizantes, sendo que parte deles estão empregados na fábrica de sumos Compal, igualmente visitada pelo primeiro-ministro português.

Nesta deslocação a Moçambique, o governante português fez-se acompanhar por Rui Machete, Ministro do Estado e Negócio Estrangeiros; José Aguiar, Ministro da Defesa; Jorge Moreira, Ministro do Ambiente, Ordenamento Territorial e Energia, entre outros quadros.

“Mário Coluna foi um homem extraordinário”

– Pedro Passos Coelhos, Primeiro-Ministro português, depois de visitar a campa onde repousam os restos mortais do “Monstro Sagrado”

Passos Coelho visitou, no Cemitério de Lhanguene, a campa onde repousam os restos mortais de Mário Esteves Coluna, o “Monstro Sagrado, falecido em Fevereiro último, tendo afirmado que o malogrado “foi um homem com qualidades extraordinárias”.

“Os testemunhos disso são dados por pessoas que viveram com ele. Mário Coluna dignificou o seu país e o meu também. No mundo não há pessoa igual”, disse Passos Coelho, momentos depois de depositar uma coroa de flores na referida campa.

Acrescentou que o “Monstro Sagrado” é um daqueles homens que se distinguiu de todos os outros. “É com muita honra que visito esta campa para homenagear uma pessoa da dimensão de Coluna, que teve uma carreira transcendental. Não foi só um grande desportista, mas uma pessoa que o governo português decidiu prestar tributo e recordar que é uma figura admirada por milhões de portugueses que conservam a sua imagem e feitos.”

 

Domingos Nhaúle

Fotos de Alfredo Mueche e Cortesia do Gabinete de Imprensa PR

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