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Roubos afectam oferta de medicamentos nos hospitais

Por Abibo Selemane

O roubo de medicamentos agudiza a falta de fármacos nas unidades sanitárias, comprometendo a assistência sanitária. Só no ano passado foram furtados cerca de 864 mil antimaláricos no depósito da Machava, na Matola. Grande parte dos medicamentos surripiados em Moçambique é vendida nos países vizinhos. A situação torna-se mais complicada porque, muitas vezes, há envolvimento de colaboradores do sector da Saúde.

A preocupação foi partilhada ao domingo pela directora-geral da Central de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM), Noémia Escrivão, em entrevista na qual afirmou que a falta de medicamentos nas unidades sanitárias está também associada ao défice financeiro no Orçamento do Estado.

Segue-se a entrevista.

Qual é o ponto de situação da disponibilidade de medicamentos no país?

Não é muito boa. Podíamos estar melhor, mas temos um défice orçamental que nos causa algumas deficiências. Não posso dizer que uma província está melhor que a outra. Muito pelo contrário, porque normalmente os medicamentos dependem das especialidades. Os doentes de oncologia que estão a ser tratados maioritariamente no Hospital Central de Maputo são transferidos de várias províncias, porque é aqui onde há condições para cuidar desse tipo de doentes. Então, se houver problemas de falta de medicamentos de oncologia, afecta a unidade que trata o cancro. Agora, se temos, por exemplo, hemodiálise em dois, três hospitais, aí a falta de um medicamento vai afectar a todos, porque usam o mesmo fármaco para tratar aquela situação.

Qual é o medicamento que faz mais falta?

Faltam-nos alguns antibióticos, medicamentos de oncologia, anti-hipertensivos, podemos ter um fármaco, mas não dispor do outro, e esta situação não nos deixa satisfeitos, mas existem os que fazem falta. O problema é a ausência de recursos financeiros para adquirir os medicamentos.

Quer dizer que a escassez de medicamento nas farmácias dos centros de saúde vai continuar por mais tempo?

Temos muito tempo para resolver este problema. Estamos a definir novas estratégias para fazer face a esta situação. O sector da Saúde tem de ser olhado com prioridade. Por exemplo, se o orçamento reduzir, vai afectar todas as componentes da Saúde. Não só a área assistencial, mas também o tratamento, porque se baixa o orçamento, não teremos dinheiro suficiente para comprar medicamentos.

Que acções estão em curso para garantir que os medicamentos cheguem ao destinatário em segurança?

Estamos a trabalhar no sentido de encontrar soluções para o financiamento na área da Saúde, olhando para o que acontece nos outros países. Há intenção de alterar a taxa de cobrança dos medicamentos. Porque não é possível comprarmos e entregarmos, não recebermos nada em troca e conseguirmos voltar a comprar. Alguma coisa tem de ser feita para que os fármacos sejam adquiridos nas unidades sanitárias e não gratuitos, porque não conseguimos suportar a despesa nesta área. Leia mais…

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