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Renamo diz que Dhlakama já está disponível para se reunir com Guebuza

O porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, disse sexta-feira última em Maputo que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, está disponível a encontrar-se com o Presidente da República, Armando 

Emílio Guebuza, “para sanar duma vez por todas” as diferenças políticas que opõem o Governo à Renamo e que culminaram com ataques ao paiol de Savane, em Dondo e a viaturas de civis no troço entre o Rio Save e o Posto Administrativo de Muxúngué.

 

 

Falando numa conferência de Imprensa para o efeito convocada, Fernando Mazanga negou que as suas afirmações sejam um pedido formal do encontro entre as duas lideranças, mas deixou transparecer que o líder da Renamo deseja reunir-se urgentemente com o Chefe de Estado.

“Não se trata de um pedido público, mas sim uma aproximação àquilo que o Presidente da República manifestou no dia das celebrações do 38º aniversário da independência nacional ao afirmar que o nosso líder está a querer escapar. Então, nós sentimos com esta forma de falar que ele pretende encontrar-se com Afonso Dhlakama”,disse Fernando Mazanga.

Questionado sobre quando e onde é que tal encontro vai ocorrer, Mazanga respondeu nos seguintes termos: “Esta iniciativa foi proposta pelo Presidente da República, nós estamos dispostos que ele indique onde é que deve ser para avaliarmos a viabilidade desse local”.

Sublinhou que face à situação de instabilidade que reina no troço entre o Rio Save e Muxúngué, é preciso amolecer o coração de quem tem o poder real de acabar com o sofrimento dos moçambicanos, recorrendo a meios pacíficos ao seu dispor.

“Há corações que de facto precisam de ser amolecidos, refrescados para não optarem pelo uso da força, quando perdem a razão. A tolerância é uma característica dos líderes que amam a paz. É um distintivo dos justos, daqueles que vencem uma batalha sem dispararem um tiro que seja”,afirmou o porta-voz da Renamo.

Mazanga falou ainda das negociações em curso entre as delegações do Governo e da Renamo, tendo dito que já é tempo de Guebuza e Dhlakama se encontrarem para o desbloqueio de quaisquer impasses que possam existir.

“O encontro entre as delegações e os seus chefes pode contribuir para que se abra uma nova página na história de Moçambique, a página de desenvolvimento, de uma efectiva e real inclusão dos moçambicanos nas várias esferas do nosso país”,disse Mazanga.

Acrescentou que o povo não está interessado em guerra ou exibição de armamento bélico, mas sim numa democracia efectiva para poder escolher os seus dirigentes através de eleições livres, justas e transparentes.

Nesse contexto, o porta-voz da Renamo afirmou que as posições políticas ideológicas não podem empurrar o país para inimizades, derramamento de sangue e antagonismos.

“Como moçambicanos que somos, devemos nos guiar pela verdade e não pela razão. A razão pode ser construída com base em mentiras e falsidades, desde que a sua argumentação seja convincente, enquanto a verdade é imponente, presencial e papável”,disse Mazanga.

Mazanga deplorou a movimentação de material bélico ao longo do corredor entre o Rio Save e Muxúgué e segundo afirmou, trata-se de uma tentativa de aniquilar fisicamente o líder da Renamo e os seus seguidores.

“Essa pretensão é infeliz, perigosa e atentatória aos direitos humanos. É uma tentativa de reedição de Angola, com objectivo claro de eliminar o líder e seus seguidores directos, como forma de se evitar eleições por tempo indeterminado”,explicou.

Num outro momento, Mazanga falou da prisão do brigadeiro Jerónimo Malagueta, tendo afirmado que o mesmo encontra-se sobre prisão numa das cadeias da cidade de Maputo, aguardando julgamento. Ele está a ser assistido por um advogado da Liga dos Direitos Humanos.

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