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Reforçada cooperação bilateral

A visita de Estado efectuada de 4 a 7 do corrente mês pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, a convite do seu homólogo indiano, Pranab Mukherjee, criou espaço para impulsionar o desenvolvimento do nosso país, através de parcerias e troca de experiências entre empresários indianos e moçambicanos, de vários sectores. Entretanto, o Chefe do Estado moçambicano regressou ontem ao país.

Aliás, este foi um dos objectivos que levaram o Chefe do Estado àquele país asiático, sendo que ao nível dos dois estados e governos, para além do reforço dos laços de amizade e cooperação e do estreitamento das relações entre os governantes dos dois países, como forma de agilizar a tomada de decisões em tempo útil, foram passadas em revista as relações de cooperação, tendo em conta os memorandos já existentes e avaliadas as acções desenvolvidas pelo empresariado de Moçambique e Índia, no âmbito desta cooperação. Esta foi feita durante o encontro que o Presidente moçambicano manteve com o Primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Para o reforço da cooperação económica, foi celebrado um acordo sobre energias renováveis e realizadas visitas a estabelecimentos do sector têxtil, neste caso, com o objectivo de colher conhecimentos sobre o processo que envolve a produção do algodão de qualidade e não contaminada, até à fase da fiação e produção de tecido, confecção e entrega ao mercado. A delegação moçambicana também visitou uma universidade agrícola, onde foram igualmente colhidas experiências importantes para a formação de cidadãos capazes de responder à dinâmica do momento, sob o ponto de vista de capacidade de produção e criatividade na elaboração das actividades.

Conforme referiu o PR, esta é uma cadeia de valores que interessa adquirir como experiência para aplicar no contexto da economia moçambicana.

Impressionado com o que viu no terreno, o Presidente Nyusi considerou existirem condições no país, em termos de recursos, para o arranque imediato de algumas actividades. A título de exemplo, referiu-se que, no sector agrícola, as experiências colhidas poderão contribuir, principalmente, para aliviar a economia do país, em termos de redução de despesas. “Podemos, por exemplo, embarcar no processo de fiação, na produção do algodão hospitalar. São questões imediatas que podem resolver problemas e reduzir as importações”.

Ainda durante a sua estada na Índia, Filipe Nyusi visitou o Instituto Indiano de Gestão, localizado no Estado de Gujarat, onde ele próprio se formou há 12 anos.À sua chegada, foi recebido pelo corpo directivo daquela instituição e, mais tarde, manteve um encontro com os seus pares, antigos colegas do curso, que na ocasião se pronunciaram sobre as suas áreas de trabalho, os seus ganhos e aspirações, destacando-se os investimentos em Moçambique.  

Entretanto, a estada do Presidente Nyusi na Índia incluiu a visita ao memorial de Mahatma Ghandhi, deslocação que efectuou acompanhado pela sua esposa, Isaura Nyusi, onde depôs uma coroa em homenagem a Ghandhi.

Refira-se que para além de sua esposa, acompanharam o PR na visita à Índia os Ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Balói, da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, dos Recursos Minerais e Energia, Pedro Couto, e dos Transportes e Comunicação, Carlos Mesquita. Ainda fizeram parte da delegação, os deputados, Alberto Vaquina e Severina Banze pela bancada da Frelimo e Mohamedrashid Sulemane, pela bancada do MDM e alguns empresários moçambicanos. Refira-se que a Renamo declinou mais uma vez o convite do PR , não tendo feito parte da comitiva.

Queremos a diversificação da nossa economia

– Presidente Nyusi no encontro com os empresários

Durante a sua visita à República da Índia, o Chefe do Estado, Filipe Jacinto Nyusi, fez referência à importância de se proceder à diversificação da economia mocambicana como forma de torná-la sustentável.

Conforme apontou, uma vez abertas as oportunidades de negócios, há necessidade de se ampliar as atenções dos empresários de outros países para áreas como agricultura, telecomunicações, estradas, saúde, energias renováveis, gás e carvão, bem como para o sector imobiliário, de prestação de serviço e no próprio homem, neste caso, através da transferência de conhecimentos, pois, conforme referiu, actualmente há uma tendência de os investidores olharem principalmente para o gás e o petróleo como atractivos para os seus investimentos.

Ao intervir no “Business Session With Nyusi”, um encontro entre empresários de Moçambique e da Índia que se realizou no segundo dia da sua visita, o PR agradeceu as oportunidades que vem sendo criadas para a promoção do desenvolvimento de Moçambique, contudo, focalizou a importância de se virar as atenções para o sector agrícola, procurando criar parcerias para desenvolver a agricultura industrial, um sector eleito como a base para o desenvolvimento.

A Índia aparece aqui como um parceiro ideal, uma vez que tem uma vasta experiência neste ramo. É na sequência disso que o Presidente Nyusi se deslocou a Gujarat, um dos estados deste país asiático,onde em diversas ocasiões manifestou o seu interesse em que se faça a transferência de conhecimentos de forma a tornar Moçambique, que possui mais de trinta e cinco milhões de terra arável, uma potência na produção e processamento de alimentos.

Sabemos que Gujarat é uma referência no agro-processamento. Endereçamos, assi, um convite para que transfira a sua tecnologia para Moçambique, que tem áreas aráveis, próprias para a agricultura”, disse Nyusi.

Entretanto, conforme referiu, há que apostar, também, em áreas transversais, como a dos transportes, infra-estruturas sociais e económicas, tais como escolas, hospitais, estradas e pontes, neste sentido, para facilitar o escoamento dos produtos.

A exploração dos recursos hídricos, igualmente, entra para o leque de apostas pela sua importância em qualquer sector. É por esta razão, que o Chefe do Estado moçambicano expôs oportunidades de construção de mais barragens, aquedutos e regadios para impulsionar o sector agrícola, e, conforme destacou, houve também conversações à volta de áreas como protecção marítima. Nesta vertente, o Governo procura reforçar o combate à pirataria e à poluição do mar, pois,“no mundo não se faz nada unilateralmente, é preciso haver convénios, cooperação. Nós estamos a trabalhar na região com a Tanzânia, com a África do Sul, mas também estamos a trabalhar com eles (a Índia) na troca de informações, de técnicas”, entre outros aspectos, disse Filipe Nyusi.

“BUSCAMOS PARCERIAS

PARA A FORMAÇÃO”

– José Pacheco, Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar

 A República da Índia vem sendo apontada como uma indústria de formação de capital humano, onde existem cientistas de diferentes áreas importantes para o desenvolvimento do país.

A Universidade Agrícola de Anande, instituição visitada pelo Presidente Nyusi, localizada no Estado de Gujarat, é um dos exemplos na política de formação e pesquisa, porquanto, de acordo com o Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, possui uma base de investigação garante do desenvolvimento agrário que o Estado de Gujarat tem estado a conhecer, tanto em produtos alimentares, como em produtos não alimentares, como é o caso do algodão.

Aliás, de acordo com José Pacheco, é neste estado onde se desenvolveu o conceito de “revolução branca”, pela capacidade de produzir leite e derivados, consumidos localmente e comercializados em outros estados da Índia.

José Pacheco destaca, portanto, a importância da partilha desses conhecimentos, “o que vai permitir uma massificação das actividades agrárias que estamos a desenvolver, ao nível nacional”.

Conforme disse, a Índia é uma boa escola de formação de técnicos agrários, razão fundamental para se avançar no estabelecimento de parcerias com vista a formação de quadros moçambicanos, através de cursos de curta, média e longa duração, neste caso privilegiando a pós-graduação, sobretudo para a investigação e extensão agrária.

“Há interesse em cooperar com os indianos”

– Rogério Manuel, presidente da CTA

Ao nível do Governo de Moçambique e não só, fica patente o interesse em fazer prosperar a economia do país. Com efeito, empresários moçambicanos que acompanharam a visita de Nyusi à Índia realizaram encontros com os seus homólogos indianos, com o objectivo de estabelecer parcerias económicas.

Avaliando a participação massiva nos fóruns empresariais organizados durante a visita do Chefe do Estado, Rogério Manuel, Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), faz um balanço positivo dos debates havidos entre empresários moçambicanos e indianos ligados à área de agricultura, agro-processamento, energias renováveis e, tendo também em conta a aproximação de empresários que pretendem investir na área de pedras preciosas, incluindo diamantes.

Tratou-se de uma novidade. São grandes homens de negócio que querem fazer a prospecção de diamantes, porque sabem que existem no nosso país”, disse Rogério Manuel.

Como corolário dessas actividades, Rogério Manuel avançou que dentro de dias, alguns empresários indianos deslocar-se-ão a Maputo, para continuarem com as discussões iniciadas nestas reuniões e consolidarem os seus interesses, assim como, alguns empresários moçambicanos permanecerão em Deli, para conversações e firmamento de negócios.

Texto de Carol Banze
em Nova Deli, Índia
Fotos de Elídio Tembe e Sérgio Costa
 

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