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PRODUÇÃO DE ENERGIA: Centrais a gás natural já superam quota da HCB

Depois de vários anos a investir em infra-estruturas de geração de energia eléctrica, a partir do gás natural de Pande e Temane, o país atingiu um estágio de rara estabilidade e este sector começa a apostar no sedento mercado regional com a finalidade de buscar o retorno dos investimentos.

Em entrevista ao nosso jornal, Pascoal Bacela, director nacional de Energia, disse que as novas centrais térmicas movidas a gás natural que foram instaladas em Maputo e Gaza, juntas, dão cerca de 450 MegaWatt (MW).

Esta quantidade, que supera a quota de energia que é fornecida pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) à Electricidade de Moçambique (EDM), que é estimada em 300 MW, dos mais de 3000 (três mil) MW que a HCB produz e que, por força de um contrato com a África do Sul, que expira em 2029, deve escoar para aquele mercado.

Afirma que nem por isso o sector deve baixar a guarda e dar-se por vencedor porque as necessidades do mercado não são estáticas, mas afirma que há motivos para alegria porque o país já não depende de uma única fonte. 

Nos últimos anos foram construídas as centrais térmicas de Ressano Garcia (CTRG), Kuvaninga, Aggreko, Gigawatt e de Ciclo Combinado. Podemos dizer que já temos o suficiente?

Dizer que é suficiente é muito relativo porque a vida é dinâmica, as necessidades crescem, as condições do mercado variam e, para tudo isso, temos de encontrar respostas na disponibilidade de energia. Não podemos dizer que agora estamos bem. Temos de estar em condições de responder a qualquer situação e realidade.

Como é que a sociedade deve olhar para o quadro de geração e de fornecimento de energia no país para que possa entender essas dinâmicas?

Este sector deve ser visto, principalmente, no contexto da garantia da disponibilidade de energia para as necessidades do país, depois se deve observar a segurança energética do ponto de vista da produção para se poder assegurar essa disponibilidade e, por último, ver a situação do mercado nacional e regional que é determinante para a viabilização de investimentos.

Mas parece inquestionável que já temos energia para as necessidades internas, ou ainda não?

Para a satisfação dos consumidores de todo o país temos energia. Todavia, precisamos de continuar a investir porque se amanhã aparecer um investimento que careça de 100 ou 200 MegaWatts (MW) temos de lhe dar resposta. Aliás, devemos fazer com que esse investimento sirva de chamariz para outros. Ou seja, não devemos cruzar os braços e ficar à espera que os investidores venham e nos digam que querem energia.

Qual é o excedente que resulta do funcionamento destas centrais a gás?

Como sabe, cerca de 65 por cento do total da demanda nacional estão localizados na zona Sul do país. Antes destas centrais a gás, o maior fornecedor de energia era a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) que fornecia uma quota de 300 MW à EDM e esta quantidade não era suficiente, mas era com eles que se assegurava a cobertura de toda a demanda nacional.

E agora?

As novas centrais a gás totalizam 425 MW, o que supera a quota de energia firme da HCB. Por outras palavras, elas respondem em mais de 60 por cento às necessidades da zona Sul. Mas esta resposta não se refere apenas ao volume.

Refere-se a que mais?

Tem a ver com a segurança do fornecimento que resulta da proximidade com os centros de consumo e também com a diversificação das fontes. Hoje, se uma das centrais reduz o fornecimento por necessidade de manutenção ou por outra razão qualquer, as outras não são afectadas.

Mas o potencial hidroeléctrico do país não pode ser posto de lado…

É verdade. Entretanto, este potencial está localizado e a sua exploração implica a construção de grandes infra-estruturas de transporte de energia, elevados custos de manutenção e riscos com eventuais défices hidrológicos. Tudo isto tem implicações nas perdas de energia, nos custos e na redução da capacidade de fornecimento. É por causa disto que o Governo também dá atenção à utilização do carvão mineral para produção de energia. Leia mais…

Texto de Jorge Rungo

 
jorge.rungo@snoticicas.co.mz

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