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Prioridade é produzir comida para os moçambicanos- Filipe Jacinto Nyusi

O Presidente da República (PR) Filipe Jacinto Nyusi diz ter ficado bastante encorajado a prosseguir com o seu projecto de produção de alimentos tendo em vista a suprir o défice alimentar e a garantia da segurança alimentar e nutricional.

Filipe Nyusi decidiu despir o habitual traje formal e vestir uma camisa e calças simples, umas botas e sair do seu Gabinete de Trabalho para o campo, o que deixou incrédulos a maioria dos camponeses com os quais dialogou.

Metódico nas suas perguntas, o Presidente da República questionou os agricultores de Boane sobre as dificuldades que enfrentam no dia-a-dia do exercício da sua actividade, bem como as ambições para o futuro.

Na ocasião, O Chefe de Estado interagiu com os agricultores para se inteirar da cadeia de valores na produção agrícola, acompanhou as acções em curso no quadro da promoção da agricultura e economia rural, auscultou as preocupações dos camponeses e os desafios para o aumento da produtividade e competitividade.   

O primeiro camponês a ser visitado foi Xadreque Muthemba, por sinal, segundo melhor produtor nacional na campanha agrícola 2012-2013, onde Nyusi ficou a saber de todos os pormenores relacionados com a produção de hortícolas, fruteiras e outros produtos agrícolas.

Este agricultor trabalha a terra com enxadas, charruas e uma multicultivadora, ganho como prémio pelo seu trabalho e que possui um sistema de rega por aspersão que veio revolucionar a irrigação dos seus campos, permitindo deste modo o aumento da produção.

O outro aspecto importante, é que Xadreque Muthemba beneficiou-se de algumas técnicas de melhoria da produção e produtividade agrícolas, através dos ensinamentos adquiridos no Centro de Transferência e Inovação Agrícola de Umbeluzi, como por exemplo, a produção de estrume a partir de detritos do gado bovino misturados com folhas secas.   

Numa conversa franca e sem formalismos, Muthemba explicou que explora cerca de quinze hectares, produzindo entre outros produtos, hortícolas, fruteiras, actividade iniciada em Abril de 1984 em resposta ao apelo do saudoso presidente Samora Moisés Machel, sobre a necessidade de se produzir para consumo próprio e venda no mercado nacional.

Acrescentou que conta com seis trabalhadores que trabalham a terra com muito gosto e que os constrangimentos são a falta de energia eléctrica, o que encarece os custos de produção, e as vias de acesso para escoar os produtos, sobretudo, na época chuvosa, havendo casos que chegam a deteriorar-se, como por exemplo, o repolho, cuja produção ronda entre 80 a 90 toneladas.

A propósito de energia, O Presidente da Republica questionou se o camponês já havia requerido á Electricidade de Moçambique para resolver as suas inquietações, ao que Muthembaa explicou que muito recentemente foi aconselhado a tratar a papelada aguardando a qualquer momento o seu envio a esta entidade.

Ainda neste campo, o estadista moçambicano visitou uma plantação de variedades de mangueiras, sobretudo a que Xadreque Muthemba diz ter trazido da Guiné e que tem sido uma maravilha quando chega a época desta fruta.

De referir que a machamba deste agricultor dista cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número dois (EN2), a partir da zona da Escola Militar de Sargentos de Boane.

De seguida, o Chefe de Estado foi orientado a visitar a empresa Bananalândia situada no bairro Massaca, a escassos quilómetros da Barragem dos Pequenos Limbombos. Aqui, Filipe Nyusi inteirou-se da produção da banana e seu mercado.

Por exemplo, o Presidente da República ficou a saber que esta empresa opera desde o ano de 2010, conta com 200 trabalhadores, sendo 120 mulheres e 80 homens, que produzem duas toneladas de banana por semana de um total de 2.200 plantas por hectare. A produção desta empresa é vendida no mercado nacional e sul-africano, sendo 50 toneladas na cidade de Maputo e 150 na África do Sul.

Depois desta empresa, o estadista moçambicano escalou o centro de Investigação e Transferência de Tecnologias, onde visitou os campos experimentais de produção de hortícolas, arroz e alho antes de participar na exposição-venda de produtos agrícolas da província de Maputo.

Neste evento, o estadista visitou alguns pavilhões onde estavam expostos as potencialidades de todos os oito distritos, incluindo as empresas sedeadas nelas, como por exemplo, as de produção de aves, gado bovino e suínos.

De referir que o distrito de Boane localiza-se a cerca de 40 quilómetros da cidade de Maputo e segundo o censo de 2007 possui uma população de 102 mil habitantes e as projecções para o presente ano indicam que esta população vai aumentar para 150 mil habitantes, sendo a actividade agrícola, comércio e o negócio imobiliário as actividades principais.

ESTIMULAR AGRICULTURA

COMO ACTIVIDADE PRINCIPAL

Em declarações aos jornalistas depois de visitar os empreendimentos agrícolas, o Presidente da Republica afirmou que saiu com a impressão de que os moçambicanos têm a agricultura como actividade principal para a superação das dificuldades e melhoria das condições das suas vidas. Note-se que Moçambique possui 36 milhões de terra arável, dos quais cerca de 15 por cento são explorados pelo sector familiar.

“Nós sempre dissemos que no nosso plano de governação para os próximos cinco anos, está a agricultura e a segurança alimentar como prioridade. Então, decidimos sair do escritório para ver a amostra daquilo que está a ser feito na agricultura. Como viram, primeiro visitamos um produtor simples e depois uma empresa e neste caso na área de produção de banana e fomos desembocar na investigação onde se faz esforço para aumentar a produção e produtividade agrícolas”, disse Filipe Nyusi, acrescentando que o objectivo era colher uma amostra geral sobre os desafios do sector agrícola.

 Na ocasião, o Presidente da República diz ter ficado bastante satisfeito com a postura dos camponeses daquele distrito que são um exemplo em matéria de trabalhar a terra. “ O importante é que vimos que há consciência na população de que tem que se trabalhar a terra e aqui não há conflitos no sentido de que não tenho oportunidade porque não há espaço. A terra é grande e todos nós temos oportunidades, não é como noutras áreas como gás e carvão mineral que depois há discussão sobre quem tem e não tem”.

Nesse contexto, o Chefe de Estado afirmou que o grande desafio é aprimorar as formas de produção para produzir mais comida tendo em vista a satisfação das necessidades alimentares, em primeiro plano, e depois para vender para aquisição de outros bens necessários, de modo a melhorar as condições de vida da população.

“Na agricultura, toda gente tem e pode ter terra para produzir comida. O desafio é melhorarmos e aperfeiçoar as formas de produção, porque queremos produzir mais e melhor”, disse o Presidente da República, sublinhando que antes de vender é preciso assegurar que não falte alimentos numa família.

 Num outro momento, Filipe Nyusi mostrou-se satisfeito pelo facto de ter constado que quer a produção familiar assim como empresarial tem espaço no mercado. “O que está acontecer em Boane é muito bom. Dialogamos ao detalhe com todos e eles afirmaram que há mercado para a colocação da sua produção”.

O Chefe de Estado visitou igualmente o Centro de Inovação e Transferência de Tecnologias Agrárias de Umbeluzi onde ficou bastante impressionado com o trabalho que está a ser desenvolvido tendo em vista a melhoria da qualidade da produção.

“Aqui no Instituto de investigação estão a dar-se passos gigantescos para a qualidade da produção. Onde se produzia três toneladas por hectare, agora se produz nove e a alegria é maior, porque há menos trabalho e muita produção. Portanto, ficamos com uma boa impressão e encorajados para avançarmos no nosso projecto de produção de comida para os moçambicanos”,observou o Presidente da Republica.

Refira-se que a deslocação do Chefe do Estado a Boane esteve enquadrada do Dia do Campo e o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar aproveitou a ocasião para fazer deslocar o mais alto Magistrado da Nação para visitar os campos agrícolas e trocar impressões com os camponeses sobre aspectos inerentes à melhoria da qualidade de produção.

Um outro aspecto não menos importante é que foi bastante aplaudido é que a ocasião serviu igualmente para reunir várias sensibilidades ligadas ao sector agrícola, entre eles, antigos dirigentes e os actuais quadros do pelouro da Agricultura tendo em vista a definição de estratégias para a melhoria da qualidade da produção.

Domingos Nhaúle

nhaule2009@gmail.com

Fotos de Carlos Uqueio e Urgel Matula

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