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População pede infra-estruturas nas zonas de reassentamento

Os desalojados das cheias da presente época chuvosa na província da Zambézia, concretamente ao longo das margens dos rios Lugela e Licungo pedem infra-estruturas sociais, escolas, hospitais, bancos, entre outras nos novos bairros de reassentamento. As cheias afectaram nesta província cerca de 140 mil habitantes, sendo que mais de 160 pessoas perderam a vida e pouco mais de 50 mil ficaram desalojadas.

As cheias da presente época chuvosa vieram uma vez mais colocar a nu o deficiente sistema de escoamento das águas pluviais um pouco por todo o país, sobre tudo na rede rodoviária (estradas e pontes), ao longo da Estrada Nacional Número 1 (EN1), na província da Zambézia.

Nesta época, as regiões mais afectadas são as do Centro e Norte, nomeadamente, as províncias da Zambézia, Nampula, Niassa e Cabo Delgado, onde até a última quinta-feira, a chuva teimava em cair aumentando os prejuízos materiais para não falar de milhares dos desalojados.

No mês passado, por sinal o do pico, as cheias arrasaram a chamada região do baixo Licungo, onde a água destruiu estradas e pontes, habitações, provocando milhares dos desalojados que neste momento estão abrigados nas zonas de ressaentamento enquanto outros aguardam pela sua vez nos centros de trânsito.

Para se inteirar do grau das destruições e a assistência que está a ser feita aos desalojados, o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi visitou sucessivamente, as províncias assoladas.

A título de exemplo, Filipe Nyusi escalou o centro de acomodação do cajual, em Mocuba, onde estão milhares de desalojados que ainda aguardam pelos talhões nas zonas de reassentamento.

Para garantir a assistência à população, as autoridades não pouparam esforços, tendo criado as mínimas condições de higiene e saneamento, com destaque para a construção de latrinas melhoradas.

O outro aspecto importante, tem a haver com o facto de estarem lá brigadas da saúde que vão dando educação sanitária, para além de distribuírem cloro e outros mantimentos para garantir que a água consumida seja segura.

A própria população tem acatado as orientações dos agentes da saúde e segundo ela semanalmente recebe uma garrafa de “Certeza” para purificar a água que deposita nos seus bidons.

Os mesmos agentes tem se desdobrado em outros cuidados, como por exemplo, assegurar o atendimento para casos de algumas doenças, bem como palestras sobre o planeamento familiar.

Em razão disso, a população que se encontra quer nos centros de trânsito, assim como nas zonas de reassentamento mostra-se satisfeita com as condições criadas, pedindo apenas a construção de escolas e hospitais.

Aliás, diferentemente dos outros anos, neste ano, nos centros de acomodação a população que lá reside não se queixava de falta de roupa ou mesmo alimentação, o que revela que recebe o mínimo para sobreviver.

Durante a nossa curta estadia no centro do cajual vimos as famílias lá acomodadas a confecionar os seus alimentos e outras já a passarem a sua refeição o que significa que não há muitas queixas no que diz respeito à alimentação.

SOLIDARIEDADE

Na sua passagem pelos centros de acomodação e reassentamento o Chefe do Estado viu “in loco” as condições de vida lá existentes e apelou para a continuidade da solidariedade nacional no sentido de o mais rápido possível garantir que os afectados retornem à sua vida normal.

Nesse contexto, Filipe Nyusi exortou ao povo moçambicano para continuar a canalizar apoios, sobretudo, em materiais de construção e insumos agrícolas para as pessoas voltarem a produzir alimentos.

Na ocasião, o Presidente da República chamou atenção para que as pessoas não regressem às zonas propensas às cheias a não ser para fazer machamba. “Temos que abandonar as zonas baixas e fixar habitação segura na zona alta”.

Mas onde ficou bastante impressionado foi na visita efectuada ao bairro triangulo, em Nacala Porto, província de Nampula quando viu os afectados a reerguerem as suas habitações com os seus próprios esforços.Nesta cidade, mais de 900 casas foram danificadas pela fúria das águas e ventos que fustigaram a zona, sendo que as autoridades admitem poucos casos de reassentamento.

Segundo António Pilale, administrador de Nacala Porto, para fazer face às inundações, os empresários locais têm-se desdobrado na busca de soluções locais como por exemplo, a alocação de chapas de zinco para as populações afectadas reconstruirem as suas residências.

Acrescentou que as enxurradas desalojaram 848 famílias, afectando mais de duas mil e oitocentas pessoas que neste momento se beneficiam de assistência alimentar e outro tipo de apoio.

No entanto, Pilale frisou que nos próximos dias será necessário a conjugação de esforços, sobre tudo, o apoio em sementes para as pessoas voltarem a lançar a terra para recuperar as culturas assoladas pelas enxurradas.

REABILITAR

AS INFRAS-ESTRUTURAS

Além da destruição das habitações, as cheias provocaram avultados danos na rede rodoviária o que tornou difícil a circulação ao longo da Estrada Nacional Número 1 (EN1) deixando isolados muitos dos distritos interiores da Zambézia. Os mais assolados são os distritos de Mocuba, Namacurra, Nicoadala e Maganja da Costa.

A título de exemplo, em Mocuba, a ponte sobre o Rio Licungo não escapou a fúria das águas tendo ficado intransitável mais de 30 dias. A mesma beneficiou de reabilitação de emergência para permitir a circulação de pessoas e bens.

Ainda sobre esta infra-estrutura, o delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) na Zambézia, Daniel dos Santos, disse que a breve trecho irão arrancar as obras de reabilitação da ponte e outros pontos subsequentes ao longo da EN 1.

Os troços mais danificados foram os que se encontram entre Mocuba e Nampevo, nomeadamente, o rio Muluavi e sobre o rio Namilate onde as respectivas pontes igualmente se encontram danificadas.

“A preocupação é garantir a transitabilidade, porque estávamos a ter problemas sérios do ponto de vista de economia da região. Há várias soluções a serem pensadas e que vão ser adoptadas de acordo com os estudos que fomos fazendo durante a interrupção da via”,disse dos Santos.

Acrescentou que a outra solução particularmente para a ponte sobre o Rio Licungo em Mocuba poderá ser a colocação de uma ponte metálica na margem Norte.

“Naturalmente que uma das soluções passa pela colocação de uma ponte metálica do lado do encontro Norte da ponte do Licungo e a outra é continuar com o enchimento e criar condições para permitir a passagem de maior volume de água”,explicou Daniel dos Santos.

  

 

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