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População exige expulsão de dirigentes corruptos

A população da província de Cabo Delgado pediu ao Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, para retirar alguns dirigentes tidos como corruptos. No caso vertente apontaram os nomes de Maria Guilherme, directora distrital de Educação de Mocímboa da Praia, e Pompílio Xavier, procurador do distrito de Montepuez.

A interação entre o Chefe do Estado e a população conheceu semana finda na província de Cabo Delgado alguns episódios que já não faziam parte das preocupações a serem apresentadas durante os comícios populares, nomeadamente denúncias públicas. A título de exemplo, em pleno comício, um cidadão que se identificou como Benjamim Benedito denunciou a degradação acentuada da Escola Secundaria de Chiúre. Para aferir a situação da escola, o Presidente da Republica fez-se ao local e não gostou do facto de a mesma estar rodeada de capim, teias de arranha nas salas de aulas, carteira em bom estado mas desorganizadas.

Num breve contacto com Saide Abobacar, director da escola e único responsável presente, uma vez que da direcção distrital ninguém deu a cara, a não ser o administrador distrital, o Chefe do Estado deixou claro que não gostou do desleixo que se assiste naquele estabelecimento do ensino Secundário.

Mas antes o Presidente da República estivera nos distritos de Mocímboa da Praia e Montepuez, onde a população denunciou casos gritantes de má gestão das infraestruturas do Estado, aliada a uma corrupção galopante.

A verdade é que quando menos se espera, uma cidadã que disse chamar-se Severiana Romão, residente em Mocímboa da Praia, pediu a transferência da directora dos Serviços Distritais de Educação e Cultura por, supostamente, estar enredada com a corrupção.

Segundo afirmou Severiana, a responsável máxima do pelouro de Educação daquele distrito fechou-se em copas deixando de implementar vários projectos destinados à melhoria e expansão do ensino.

Para Severiana Romão, entre várias falcatruas destaque vai para má gestão do Fundo de Apoio Directo as Escolas, facto que contribui para a falta do material escolar na maioria das escolas, bem como a reabilitação das salas de aulas.

“Viemos ouvir as suas orientações Senhor Presidente da Republica e pedir para que dê continuidade aos projectos dos seus antecessores e acreditamos que isso é possível porque até este momento já demonstrou a sua competência ao alocar mais carteiras a algumas escolas do país”,disse Severiana Romão.

Mas foi no comício realizado em Montepuez onde quase que a tribuna ficou boquiaberta quando Mussa Abujad pegou no microfone para denunciar a alegada corrupção praticada pelo procurador distrital que igualmente é acusado de ser um grande protetor dos criminosos.

Segundo aquele cidadão, a alegada promoção e proteção dos criminosos foi evidenciada com a soltura de um perigoso cadastrado de nome França, apanhado nos meandros do crime pela polícia, mas que fora solto por falta de provas.

Aquele cidadão acrescentou que as tais provas de envolvimento de França no crime teriam sido ocultados num campo, mas, passado algum tempo foram apresentadas à Procuradoria Distrital que os ignorou ordenando a soltura do “bandido”.

DENÚNCIAS SERÃO AVERIGUADAS

Sobre as queixas e reclamações da população, o Presidente da Republica foi bastante didático e metódico ao afirmar que não se pode afugentar ou vilipendiar os titulares dos cargos públicos sob o risco de os funcionários negarem ser afectados naqueles distritos.

“Não podemos ser complicados ou perder tempo com coisas banais porque isso pode afugentar os poucos quadros que temos. Um problema pessoal não significa que o dirigente tem que ser transferido, é preciso apresenta-lo por exemplo aos lideres tradicionais e se for o caso a outras instancias superiores”,disse o PR comentando a alegada corrupção na direção distrital de Mocímboa da Praia.

Relativamente a questão do procurador, o Chefe do Estado aconselhou a população a não complicar o trabalho dos funcionários do sistema de administração da justiça e investir mais tempo no controlo dos criminosos.

“ O nosso objetivo de reuniões não é para fazer julgamentos. Nós trabalhamos em estrito respeito à lei razão, pela qual se há comportamentos estranhos vamos falar com o departamento jurídico para averiguar. Não me simpatizei com a linguagem de que vamos controlar a juíza e o procurador, o mais importante é controlar os próprios criminosos”,disse Nyusi chamando a população a ser cauteloso nas suas acusações sob o risco de as pessoas não aceitar trabalhar naqueles distritos.

ESTRADA MONTEPUEZ-RUAÇA TIRA SONO A POPULACÃO

Durante a inteiração com o Chefe do Estado, a população enalteceu os esforços em curso tendentes a melhorar das suas condições de vida, apontando entre outras questões, a construção de mais escolas, hospitais e outras infraestruturas.

Entretanto, não deixaram de colocar as suas inquietações, mormente a asfaltagem da ligação entre as províncias de Cabo Delgado e Niassa, através da estrada Montepuez-Ruaça, numa extensão de cerca de 180 quilómetros.

A reabilitação da estrada que parte de Metero, em Cabo Delgado, a Namapa, província de Nampula, também foi colocada pelos residentes do distrito de Chiúre que pretendem ver fluidas as comunicações entre as duas províncias.

A melhoria do sistema de abastecimento de água a vila municipal de Montepuez, bem como da rede elétrica são outras preocupações apresentadas pela população que pedem para as autoridades trabalhar tendo em conta a sua densidade.

INQUIETAÇÕES POPULARES

Elsa Celestino, 31 anos, funcionária bancária disse que o distrito de Montepuez, e Cabo Delgado em geral, registam um certo desenvolvimento, com a chegada da energia da Hidroelétrica de Cahora Bassa. Entretanto, não percebe a razão da persistência de restrições no fornecimento da corrente elétrica.

Elsa Celestino acrescentou que as restrições são tão frequentes que há casos em que a população permanece dois a três dias consecutivos sem luz. “Quando reestabelecem a corrente é muita fraca o que concorre para a danificação dos nossos eletrodomésticos. O outro assunto é a insuficiência de água potável, pois, ainda dependemos de pequenos sistemas de furos”.

Questionada sobre o que achava dos cinco meses da governação do Presidente Nyusi, a nossa interlocutora respondeu nos seguintes termos. “ Ainda estamos na fase inicial pelo que é difícil ter as evidências daquilo que está a desenvolver, mas creio que estamos no bom caminho”.

Por sua vez, Luís Eugénio, 30 anos de idade, afirmou que o mandato do Presidente da Republica iniciou há pouco tempo e foi ensombrado pela aprovação tardia do Plano Economico Social e o respectivo orçamento, mas que tudo está sendo feito no sentido de recuperar o tempo perdido.

“Temos que dar pelo menos um ano para verificar se as promessas eleitorais estão a ser cumpridas. Portanto, refiro-me a questão da melhoria das vias de acesso, criação de mais postos de emprego e habitação, sobretudo, para as camadas jovens”,disse Luís Eugénio.

Quem também conversou com a nossa Reportagem foi Fátima Marques que considera Filipe Nyusi é um dirigente que foi eleito pelos moçambicanos convictos de que vai resolver os seus problemas.

Aquela jovem, que por sinal diz ter votado pela primeira vez, diz estar esperançada de que ainda no presente mandato seja concluída a ligação Montepuez-Ruaça que neste momento é um bico-de-obra.

Concluída a asfaltagem da via, as trocas comerciais entre as duas províncias poderão conhecer um incremento e redução dos custos dos produtos alimentares, como por exemplo, o feijão, quem vem de Lichinga, assim como a redução do custo de transporte que neste momento é de mil meticais por viagem.

PROBLEMAS COM SOLUÇÕES À VISTA

Os problemas apresentados tem soluções, alguns a longo prazo, como por exemplo, asfaltagem da estrada Montepuez-Ruaça e reabilitação da barragem de Chipembe e outros a qualquer momento, como é o caso da energia elétrica.

Sobre a questão da estrada e melhoramento do abastecimento de água potável a Montepuez e outros distritos vizinhos, o Ministros das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Martinho Bonete afirmou que a construção da estrada que vai ate Lichinga a partir de Montepuez está paralisada devido a questões contractuais, mas que dentro de um mês será retomada.

“Quando à questão da estrada dizer que as obras serão retomadas em breve logo que terminarmos os pagamentos em atraso ao empreiteiro e neste momento estamos em negociações. Sobre a questão da água e indo ao encontro da sugestão da população, vamos encomendar um estudo sob a viabilidade da construção da barragem de Chipembe”,disse Carlos Bonete.

Por seu turno, Carlos Yum, administrador para Área do Planeamento e Projetos da Electricidade de Moçambique (EDM), explicou que o problema da oscilação da corrente elétrica em toda a região Norte tem os dias contados, pois, em manga está a construção da segunda linha a partir de Chimuara ate Namialo, em Nampula.

Para este projecto, aquele gestor sublinhou que já existe um financiamento de cerca de 200 milhões de meticais que incluem a extensão da linha ate à cidade de Nacala Porto. Uma outra questão em marcha segundo ele é a construção de central hídrica na região do Alto Malema e painéis para separar as linhas na subestação de Metoro, em Cabo Delgado.

Sobre os cortes constantes que se registam na linha, até porque durante a visita Presidencial foram três no distrito de Mocimboa da Praia, a nossa fonte explicou que tal deve-se a barramentos na principal linha que sai da subestação de Metoro.

“Não podemos passar a vida a produzir ruínas ou sucatas”

– desabafa o Chefe do Estado, a saída da Escola Secundária de Chiuri

Conforme dissemos no início do presente trabalho, a população da vila municipal de Chiúre, um dos novos municípios de Cabo Delgado, denunciou a falta de zelo e responsabilidade na conservação e gestão da Escola Secundária de Chiúre o que concorre para a sua degradação.

Para averiguar a situação o Presidente da República deslocou-se ao local e inconformado com o que viu desabafou nos seguintes termos. “O que vimos é que há falta do exercício do poder e conservação do património. Por exemplo, se deixam crescer plantas nas paredes por onde passa água, ela fica bloqueada e começa a criar fissuras. Não gostei também de ter visto as salas de aulas com teias e mesmo onde há carteiras não há conservação e qualquer dia vai se reclamar”.

E acrescentou. “Portanto, vamos combinar as duas coisas, a gestão e formação dos gestores dos recursos patrimoniais do Estado, para não passarmos a vida a multiplicar ou a produzir ruinas e sucatas”.

Refira-se que a escola lecciona de oitava a decima classe e neste momento conta com 2095 alunos que estudam nos dormitórios uma vez que as próprias salas de aulas encontraram-se num avançado estado de degradação.

Em Cabo Delgado, o Chefe do Estado trabalhou sucessivamente, os distritos de Mocímboa da Praia, Montepuez, Chiúre e a cidade de Pemba onde para além de dialogar com a população, visitou alguns empreendimentos sociais e dirigiu encontros com líderes comunitários, agentes económicos entre outros actores.

 

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